A Apple entregou novo material à Justiça, reforçando a acusação de que Chang Liu, ex-funcionário que hoje trabalha na OpenAI, levou informações sigilosas da empresa e usou-as nos projetos da concorrente. A conclusão vem de uma perícia realizada no MacBook pessoal de Liu, segundo documentos que a Apple divulgou ao tribunal esta semana.
A ação foi aberta em julho de 2024. Na época, a Apple já acusava Liu, que era engenheiro sênior de sistemas elétricos, de ter baixado arquivos confidenciais antes de pedir demissão em janeiro. Agora, a empresa aprofunda a acusação ao dizer que ele teria explorado uma brecha de segurança para continuar acessando dados internos mesmo após o desligamento.
Quatro pontos-chave da perícia
O Webrazzi teve acesso aos novos documentos e publicou detalhes da análise forense feita no MacBook de Liu. Segundo o veículo, a Apple destaca quatro descobertas:
- Download do diagrama esquemático de um chip proprietário da Apple, considerado segredo comercial;
- Indícios de que esse mesmo esquema foi aplicado em projetos desenvolvidos pela OpenAI;
- Acesso não autorizado a sistemas de armazenamento em nuvem de terceiros contratados pela Apple — algo que, segundo a empresa, Liu teria mantido mesmo após sair;
- Tentativa de limpar registros de conexões de rede no computador, o que a Apple vê como destruição de evidências.
A empresa chamou as descobertas de “chocantes” na petição judicial. Procurada por outros veículos, a OpenAI não se pronunciou. Chang Liu nega as acusações, conforme informam fontes com conhecimento próximo ao caso.

Contexto e implicações
Chang Liu esteve anos na área de engenharia de hardware da Apple, envolvido em projetos com tecnologia proprietária. Sua transferência para a OpenAI, que compete com a Apple em várias frentes de desenvolvimento de IA, chamou a atenção da empresa. A Apple já deixou claro que considera a inteligência artificial uma prioridade estratégica.
A ação reúne, no entanto, desafios práticos. A Apple pede que a OpenAI libere todos os arquivos produzidos com a participação de Liu. Até agora, o tribunal não se manifestou sobre o pedido. Não há previsão divulgada para a próxima audiência.
Incógnitas que permanecem
Nenhum documento processual disponível até o momento detalha quais projetos exatos da OpenAI teriam usado o esquema do chip da Apple. Tampoco se sabe se a perícia identificou mais conexões entre os dados acessados e os modelos treinados pela equipe de Liu na nova empresa.
O caso segue sendo observado de perto por analistas do setor, que veem na disputa um dos primeiros confrontos diretos entre duas potências da tecnologia — uma no hardware, outra no software — pela hegemonia da inteligência artificial.


