Sony Music Publishing, Warner Chappell e outras editoras musicais entraram com uma ação coletiva contra a Anthropic em uma corte da Califórnia do Norte, acusando a empresa de roubo em massa de obras protegidas para treinar os modelos Claude, com pedido de indenizações estatutárias de até US$150.000 por composição utilizada.
Acusações de torrente e scraping
A queixa descreve uma "campanha brazen" de torrente, scraping e downloads em massa realizados por meio de arquivos digitais conhecidos como Library Genesis e Pirate Library Mirror. Entre os milhões de livros baixados nesses sites, os autores identificaram partituras e letras de músicas protegidas, como "Livin' On a Prayer", "September", "Great Balls of Fire", "Ramblin' Man" e "Hallelujah".
A lista de obras citadas na queixa inclui clássicos como "Eye of the Tiger", "Ain't No Mountain High Enough", "All I Want for Christmas Is You" e "Paper Rings". Segundo a acusação, a Anthropic teria usado centenas dessas composições sem autorização, integrando-as ao treinamento do modelo Claude sem licenciamento.
Reais e processo judicial
As editoras solicitaram julgamento por júri e pediram indenizações estatutárias que podem chegar a US$150.000 por obra violada. O caso também traz à tona uma decisão judicial anterior, de junho de 2025, quando um juiz concluiu que a Anthropic havia baixado mais de sete milhões de livros piratados para treinar versões anteriores de Claude. Naquele processo, a empresa chegou a propor um acordo no qual os autores ganhariam cerca de US$3.000 por livro utilizado.

A ação reforça o crescente conflito jurídico em torno da coleta não autorizada de conteúdo protegido por empresas de IA. Com a popularização de modelos generativos como o Claude e o ChatGPT, casos de violação de direitos autorais se multiplicam, pressionando o sistema legal a definir novas regras para o uso de dados em treinamento de algoritmos.
Declarações e contexto
As editoras afirmam que mesmo as tecnologias mais inovadoras precisam respeitar os limites legais. Em comunicado, destacaram que "os modelos Claude não são exceção". A queixa também aponta que o modelo pode gerar versões próximas às originais de composições protegidas ao responder a comandos de usuários, agravando ainda mais a suposta infração.
O processo foi movido na última sexta-feira e lista como réus os co-fundadores da Anthropic, Dario Amodei e Benjamin Mann. A disputa pode se prolongar por anos, especialmente com a ausência de legislação específica regulando o uso de material protegido no treinamento de IA. Enquanto isso, outras grandes empresas de tecnologia, como a OpenAI, também enfrentam ações semelhantes por supostas violações de direitos autorais.


