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PISA 2025: alunos que nao usam IA tiram 20 pontos a mais em ciencias

Dados da OCDE revelam que estudantes que nao usam IA para tarefas escolares superam em 20 pontos os que usam, em ciencias. Singapura lidera adoção com dois terc

08 de set., 13:19 5 fontes · 4 países Pesquisa
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Estudantes usando laptops em sala de aula com tela de IA aberta Foto: Mikhail Nilov / Pexels

Alunos de 15 anos que nunca utilizam chatbots de inteligência artificial para tarefas escolares obtiveram, em média, 20 pontos a mais no teste de ciências do PISA 2025 do que aqueles que usam a ferramenta — diferença equivalente a aproximadamente um ano de escolaridade, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em Singapura, dois terços dos estudantes recorrem à IA pelo menos uma vez por semana, índice bem acima da média de 46% entre os países do bloco.

Os dados foram divulgados em 8 de setembro de 2026 pela OCDE, que pela primeira vez incluiu perguntas sobre uso de inteligência artificial no questionário contextual do Programme for International Student Assessment (PISA). A edição de 2025 contou com a participação recorde de 91 países e economias. Em Singapura, 6.551 alunos de 157 escolas responderam ao questionário.

Frequencia de uso e desempenho

Segundo o jornal The Straits Times, o relatorio mostra que, entre os estudantes de Singapura, de 41% a 46% afirmam usar IA com frequencia para pesquisar novos topicos, resumir textos e redigir rascunhos. Apenas 4% disseram nunca ou quase nunca usar chatbots de IA para trabalhos escolares. O tempo medio de uso de dispositivos digitais para atividades de aprendizado na escola e de 2,1 horas por dia em Singapura, acima da media da OCDE de 1,7 hora.

Apesar da alta adopcao, a relacao entre IA e desempenho nao e linear. The Straits Times reporta que, na media dos paises da OCDE, os alunos que disseram nao usar IA superam os que usam em cerca de 20 pontos na prova de ciencias. The Capital Brief, da Australia, acrescenta que os usuarios diarios de IA obtiveram as notas mais baixas, enquanto aqueles que usam a ferramenta semanalmente para “ajudar a aprender” tiveram desempenho semelhante ao dos que nunca a utilizam.

Interpretacao da OCDE e implicacoes

O diretor de educacao e habilidades da OCDE, Andreas Schleicher, disse ao The Straits Times que a IA “separa a realizacao de tarefas do aprendizado”, permitindo que os alunos “facam coisas maravilhosas sem aprender nada”. Em declamacao tambem citada pelo Capital Brief, Schleicher afirmou que a tecnologia pode prejudicar o desenvolvimento se “curto-circuitar o esforco produtivo do aprendizado”. Para ele, a alfabetizacao digital nao comeca com o uso de dispositivos, mas com a capacidade de “concentrar, interpretar, sintetizar e raciocinar”.

Capa do relatório PISA 2025 sobre uso de IA na educação
Foto: Lukas Blazek / Pexels

O relatorio pondera que o pior desempenho pode estar ligado a outros fatores, como a possibilidade de alunos com mais dificuldade recorrerem mais a IA. Nao ha, no material divulgado, detalhes sobre o controle estatistico dessas variaveis.

Contexto em Singapura

No pais asiatico, 29% dos estudantes relataram que os colegas frequentemente se distraem com dispositivos digitais durante a maioria ou todas as aulas de ciencias — percentual similar a media da OCDE (28%). A proporcao de escolas que proibem celulares subiu de 16% em 2022 para 43% em 2025. Nos paises da OCDE, alunos em escolas onde o uso de celular nao e permitido tem cerca de 13% menos probabilidade de relatar distraicao digital.

O estudo tambem aponta que o apoio familiar aos estudantes em Singapura diminuiu, o que preocupa especialistas, ja que o envolvimento dos pais influencia fortemente os resultados educacionais. The Capital Brief destacou que metade dos estudantes australianos relatou usar IA semanalmente, acima da media da OCDE de 45,5%, e que suas notas no PISA ficaram acima da media, apesar de quedas em leitura e matematica.

Apurado em 5 fontes

The Straits Times (Singapura) · Capital Brief (Austrália)

ver as 5 fontes

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