O primeiro Foro Lumière, realizado nesta segunda-feira em Saint-Paul-de-Vence, na França, reuniu 220 participantes de 65 países para debater a crise da indústria cinematográfica diante da inteligência artificial generativa e da queda de público nas salas. O evento, copatrocinado pelos governos da França e da Coreia do Sul, contou com a presença de George Clooney e Martin Scorsese e resultou na criação de uma organização de apoio ao cinema independente com orçamento de 30 milhões de euros (cerca de 35 milhões de dólares).
A cumbre foi aberta pelo presidente francês Emmanuel Macron, que alertou para o risco de a IA generativa "substituir os criadores". O presidente sul-coreano Lee Jae Myung, por sua vez, defendeu "uma era em que a IA se desenvolva de forma mais responsável" e advertiu que, sem uma resposta coletiva, a indústria enfrentará "sem dúvida uma crise". A queda de 40% na frequência de salas de cinema no mundo nos últimos cinco anos, desde a pandemia de covid-19, foi um dos dados centrais apresentados.
Iniciativas e ausências
Entre as medidas anunciadas está a criação da Iris, organização voltada ao cinema independente que reunirá apoio de cineastas como Pedro Almodóvar, Sofia Coppola, Jafar Panahi e os irmãos Dardenne. Martin Scorsese classificou o foro como "o debate global que todos precisamos".
No entanto, as principais empresas de inteligência artificial não enviaram representantes. O YouTube também recusou o convite, sendo criticado por parte da indústria por supostamente competir com a produção cinematográfica sem contribuir financeiramente. Os organizadores defenderam a necessidade de um marco de cooperação internacional para o cinema, inspirado nos mecanismos multilaterais usados em áreas como mudanças climáticas.


