Nvidia lançou uma onda de investimentos no setor de inteligência artificial, aprofundando suas apostas com uma combinação de stakes, garantias e backstops orçados em dezenas de bilhões de dólares, segundo reportagem do Economic Times da Índia.
A mais recente adição ao portfólio da empresa foi um investimento de $3 bilhões na oferta de ações do Meta, anunciado na terça-feira. Esse movimento reforça uma estratégia que já inclui participações em laboratórios de ponta como OpenAI, Anthropic e xAI, da SpaceX, além de apostas em fornecedores de neocloud como CoreWeave e Nebius.
Portfólio global
Fora dos EUA, a Nvidia estendeu suas apostas à Europa, onde apoiou a startup francesa Mistral e a britânica Wayve, dedicada a veículos autônomos. Na Ásia, firmou parceria com o grupo sul-coreano SK Group para construção de data centers.
Backstops e risco circular
Além de investimentos diretos, a Nvidia atua como garantidora de última instância. Em 2026, a empresa se comprometeu a comprar até $6,3 bilhões de capacidade computacional não utilizada pela CoreWeave. Segundo meios americanos, a Nvidia também mantém cerca de $36 bilhões em backstops de nuvem e uma garantia de até $105 bilhões vinculada a um data center da OpenAI.
Críticas e defesas
Essas aproximações entre a Nvidia e seus clientes levantam questionamentos sobre uma possível bolha imobiliária da IA. Alguns analistas vejam uma repetição dos tempos do ponto máximo da bolha dos pontos (.com), onde empresas inflavam seu crescimento por meio de investimentos em startups que, por sua vez, compravam seus produtos.

Justificativa estratégica
Para defensores, a Nvidia está apenas preenchendo lacunas no ecossistema da IA. Michael Cusumano, da Escola de Administração do MIT, afirma que, com lucros elevados, a empresa converte capital em infraestrutura ligada à compra de seus próprios chips. "Eles estão basicamente se tornando um banco", disse. Ele justificou que operar data centers próprios colocaria a Nvidia em competição com seus maiores clientes, além de gerar problemas antimonopolistas.
O lado opaco
Gil Lúcia, da D.A. Davidson, destacou que a Nvidia identifica setores subfinanciados e aplica recursos para equilibrar o crescimento. "É inédito, mas parece estar funcionando", afirmou.
Perspectiva global
Segundo Jensen Huang, CEO da Nvidia, laboratórios de fronteira precisam de bilhões de dólares para iniciar, e não apenas milhões como startups tradicionais. Os investimentos da Nvidia dão a essas empresas mais tempo para amadurecerem. Mas, enquanto alguns enxergam isso como alavancagem estratégica, outros veem sinais de superaquecimento. Paulo Carvao, da Universidade de Harvard, alerta que relações muito próximas tornam mais difícil discernir onde termina a estratégia e onde começa a bolha.
O que ainda não foi divulgado
Não há previsões sobre quando a Nvidia pretende reduzir esse modelo de investimento, nem critérios públicos para avaliar o impacto real dessas alianças sobre a saúde do mercado global de IA. A reação completa dos reguladores internacionais também permanece em aberto.


