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Maggie Gyllenhaal joga fora IA que não transformava Dakota Johnson em Marilyn Monroe

Diretora testou IA licenciada para sobrepor rosto de Dakota Johnson ao de Marilyn Monroe no curta 'Flesh Impact', mas descartou por tirar humanidade da atuação.

04 de set., 11:28 13 fontes · 8 países Modelos Cultura
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Iluminação de um conjunto de filmagem Foto: Syed Qaarif Andrabi / Pexels

Maggie Gyllenhaal, que preside o jùri do Festival de Veneza de 2026, experimentou uma IA licenciada para transformar o rosto de Dakota Johnson no de Marilyn Monroe no curta de 17 minutos 'Flesh Impact'. Ela afirmou que o experimento “fundamentamente não funcionou” e que a performance de Johnson era muito mais comovente e humana do que a versão gerada por IA.

Por que a IA foi testada e depois descartada

Gyllenhaal contou, em uma conversa sobre inteligência artificial em Veneza, que as pessoas que comissionaram o projeto a pressionaram para usar IA. Ela recabou: treinaram o algoritmo com filmes de Marilyn Monroe dos quais tinham os direitos, e tentaram sobrepor o rosto de Monroe ao de Dakota Johnson. “Eles nem usavam OpenAI. Era IA licenciada, treinada com filmes de Marilyn Monroe que havéssemos licenciado. E eu me lancei. Pensei: ‘está bem, tenho curiosidade, vamos ver’”, disse. O resultado? “Trabalhamos muito, mas no fim eu joguei fora. O que saía com Dakota interpretando Marilyn Monroe era muito mais comovente, humano, vivo.”

O curta 'Flesh Impact' apresenta uma Marilyn Monroe de 100 anos, com flashes para a versão dos anos 1930, also interpretada por Ellen Burstyn. Johnson vive o período dourado da lenda, enquanto Burstyn encarna a versão idosa. A ideia inicial era usar a tecnologia para reforçar a dualidade temporal. Mas a diretora disse que a IA apagou exatamente o que tornava o filme coerente: “Todas as razões pelas quais decidimos fazer esse projeto no começo foram, foram, foram, foram, anuladas na versão de IA”, afirmou.

O lado ambiental e o futuro da IA no cinema

Além do fracasso criativo, Gyllenhaal levantou questões ambientais. Em uma plateia que incluía o compositor Alexandre Desplat, os cineastas Lee Daniels e Shannon Murphy, e o produtor Lorenzo Mieli, ela disse que os data centers de IA consomem energia em escala preocupante. “Na América, tem um debate enorme em South Memphis sobre isso. É um problema, e precisamos reconhecer.”

Interface de inteligência artificial em tela
Foto: Matheus Bertelli / Pexels

Ela também citou Geoffrey Hinton, considerado o “pai da IA”, como alguém que já alertou sobre os riscos. “Hinton sugeriu que deveríamos programar IA com um instinto maternal”, afirmou, sem aprofundar o comentário.

Sobre os custos, Gyllenhaal disse que já ouviu dizer que um filme que hoje custa US$ 40 milhões poderia cair para US$ 4 milhões — e talvez até US$ 400 mil — com o uso de IA. Mas, como observou, isso vem das próprias empresas que controlam a tecnologia. “Eles falam em democratizar, mas o discurso vem deles mesmos.”

Ela também mencionou que empresas de IA estão tentando licenciar imagens de atores para reproduzi-las por meio de software, sem que os artistas tenham controle sobre o uso de seus rostos e performances digitais.

Apurado em 13 fontes

Clarín (Argentina) · uk.sports.yahoo.com (Quênia) · الشرق الأوسط (Asharq Al-Awsat) (Arábia Saudita)

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