Grupos de direitos civis da África do Sul exigem a suspensao imediata da construcao de novos centros de dados no pais ate que seja concluida uma investigacao sobre o impacto do consumo de agua, energia e uso do solo. A Comissao de Direitos Humanos da África do Sul confirmou a Associated Press que recebeu mais de 250 contribuicoes de grupos interessados desde que pediu subsídios em maio de 2026. Segundo o presidente Cyril Ramaphosa, o pais concentra 70 por cento da capacidade africana de datacenters, enquanto gigantes americanas como Amazon, Microsoft e Equinix ampliam sua presenca digital no territorio.
A ausência de dados concretos
A comissao, que conduz um processo preliminar de investigacao, registrou um crescimento notorio de datacenters e infraestrutura de nuvem no pais. A presidente do processo, doutora Eileen Carter, destacou que a principal preocupacao e a falta de transparencia sobre o consumo real de eletricidade, agua e uso do solo. Sem informacoes vinculantes sobre o quanto cada projeto ira demandar dos recursos mais escassos, afirma Carter, e impossivel avaliar o impacto real sobre as comunidades e o meio ambiente.
Organizacoes civis criticam a ausencia de dados publicos obrigatorios que permitam monitorar o consumo de recursos por parte de cada empreendimento. Para elas, cada novo projeto deve vir com numeros concretos, nao com estimativas vagas.
O caso mais polêmico envolve a aprovacao de uma instalacao de hiperescala da Equinix na Cidade do Cabo, que evitou por pouco o chamado Dia Zero em 2018, quando as torneiras quase secaram. A instalacao exigiria cerca de 160 megawatts de eletricidade, num pais que ainda sente os efeitos dos cortes de energia conhecidos como loadshedding. A estatal Eskom reportou superavit de potencia no inverno, mas os grupos civis desconfiam que essa energia extra possa ser direcionada aos datacenters em vez de comunidades mais vulneraveis.

Regra clara, investimento saudavel
Pitso Tsibolane, professor sênior da Universidade da Cidade do Cabo, explica que a chamada por uma pausa nao e um recusa ao investimento estrangeiro, mas um pedido por regras definidas. Para ele, investidores serios nao fogem de normas claras — eles temem a incerteza. Um boom desregulado, segundo Tsibolane, e o ambiente mais incerto de todos.
O problema central, acrescenta Tsibolane, e que os operadores nao sao obrigados a divulgar em termos vinculantes quanto consumirao de agua, eletricidade e terra. Sem isso, cada proposta avanca sem numeros reais para analise.


