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Dívida oculta de IA põe em risco crédito de tech giants

S&P Global alerta que os maiores grupos de tecnologia podem ter mais dívida ligada à IA do que divulgado

19 de out., 16:08 4 fontes · 3 países Infra Análise
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Fileira de servidores em um data center iluminado Foto: panumas nikhomkhai / Pexels

S&P Global alerta que os maiores grupos de tecnologia podem ter mais dívida ligada à IA do que está divulgado, pois planejam investir mais de US$ 7 trilhões em data centers e outros gastos de capex relacionados à IA entre 2025 e 2030, segundo a BusinessLIVE e a Business Day.

Financiamento circular e dívida de neoclouds

Segundo a BusinessLIVE, o responsável pela área de infraestrutura digital da S&P Global, Mark Habib, descreveu que os chamados financiamentos interligados ocorrem quando os hiperescaladores asseguram a construção de grandes data centers ou oferecem garantias para empréstimos de pequenas companhias de IA, o que pode gerar obrigações que não aparecem nas demonstrações das próprias gigantes.

Ele acrescentou, em entrevista coletiva em Londres, que é prudente supor que exista mais dívida em circulação do que aquela que as empresas reportam, já que, se o passivo não for contabilizado, ele não entra nas divulgações das hiperescaladoras e, se não for avaliado pela agência, a S&P pode não ter visibilidade sobre ele, conforme relato da Business Day.

A mesma fonte aponta que os títulos de dívida emitidos por fornecedores de infraestrutura de IA e pelas chamadas "neoclouds" – exemplificada pela CoreWeave, que tem apoio da Nvidia – têm caído para níveis cada vez mais estressados nas semanas recentes, refletindo preocupações dos investidores com o ritmo agressivo do endividamento utilizado para financiar a expansão de capacidade de computação.

Avaliações de crédito e o caso da Oracle

As duas publicações destacam que a S&P Global projeta que os seis maiores hiperescaladores dos Estados Unidos – Amazon, Microsoft, Alphabet, Oracle, Meta e SpaceX – irão destinar mais de US$ 7 trilhões a data centers e outros investimentos de capex vinculados à IA entre 2025 e 2030, mantendo fluxo de caixa livre negativo até, pelo menos, o ano subsequente a 2026.

Segundo a BusinessLIVE, em julho de 2026 a agência de rating baixou a Oracle para BBB‑, que representa o último degrau ainda classificado como "investment grade", justificando o movimento com a preocupação diante dos elevados gastos da companhia em projetos de inteligência artificial e com a falta de clareza sobre quando esses investimentos se traduzirão em lucros sustentáveis.

Gráfico de ações mostrando queda em tela de computador
Foto: RDNE Stock project / Pexels

A Business Day complementa que o analista-chefe da S&P Global para o setor digital afirmou que, apesar desse rebaixamento, não há atualmente a necessidade de alterar as classificações de outras grandes empresas de tecnologia, já que as métricas usadas levam em conta um horizonte de longo prazo.

Sinais de mercado e perspectivas futuras

Mark Habib declarou à Business Day que, por enquanto, a S&P Global não enxerga um grande desvio entre as ratings atribuídas e a percepção de risco dos investidores que justifique uma revisão imediata das notas.

Ele advertiu, porém, que a avaliação poderia ser reconsiderada caso ficasse evidente que o volume de recursos sendo aplicado na construção de infraestrutura de IA deixe de ser sustentável, segundo a mesma fonte.

Segundo a BusinessLIVE, esse cenário poderia ser provocado tanto por novos aumentos nos aportes de capital das empresas especializadas em IA quanto por uma julgamento de que a competição esteja elevando a velocidade de queima de caixa a um ponto em que a geração de receita não consiga acompanhar.

Apurado em 4 fontes

BusinessLIVE (África do Sul) · Business Day (África do Sul)

ver as 4 fontes

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