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Consumo de água de data center soma uma Nova York até 2030

1 veículos 1 países 1 fonte lida análise OCTOPUS: AI NEWS

Usina com torres de resfriamento industriais em um vale
Foto: Tanhauser Vázquez R. / Pexels

Os data centers dos Estados Unidos vão precisar de 2,6 bilhões a 5,5 bilhões de litros de água por dia em capacidade nova de pico até 2030 — volume comparável ao consumo diário da cidade de Nova York. O cálculo é de um estudo da Universidade da Califórnia em Riverside feito com o Caltech, publicado como preprint no arXiv e ainda sem revisão por pares.

A projeção supõe que a intensidade atual de uso de água se mantenha. Mesmo nos cenários otimistas de redução, diz o estudo, a capacidade nova somada rivalizaria com metade da demanda de Nova York na maior parte do ano.

O estudo foi noticiado pelo húngaro HVG, único veículo do levantamento a publicá-lo até 2 de agosto de 2026.

Por que servidor de IA consome água

O gargalo é calor. Data centers do tamanho de galpões abrigam milhões de servidores que processam consultas de inteligência artificial e outras cargas de computação, e todos precisam ser resfriados. Resfriamento insuficiente produz falha de sistema, parada de operação e, no limite, incêndio.

Existem sistemas de circuito fechado, que reaproveitam boa parte da água em circulação. Eles reduzem o desperdício e não eliminam o volume: mesmo esses sistemas precisam de muita água para funcionar.

Quanto um data center bebe no dia mais quente do ano

O estudo dá a medida por instalação. Um data center grande e moderno com resfriamento evaporativo passa dos 3,78 milhões de litros por dia no pico — o volume dos dias mais quentes do ano. Algumas instalações ainda em projeto podem chegar a mais de 25 milhões de litros diários.

O HVG converteu esse teto em ritmo no próprio título: até 1 milhão de litros por hora.

O pico é o número que ninguém publica

Rede pública de água é dimensionada pelo máximo, não pela média. A concessionária precisa entregar o volume de demanda máxima de forma confiável a qualquer momento, e é por isso que o consumo de água de data center só é útil ao planejamento quando vem em pico — infraestrutura, resiliência do sistema e confiabilidade operacional se calculam a partir dele.

É o dado que falta. A maioria dos operadores divulga apenas o consumo anual total e silencia sobre o pico. Os pesquisadores tiveram que reconstruir o quadro a partir de fontes públicas — registros de governo e bancos de dados de concessionárias de água.

Falta de água vira conta de energia

Sem água suficiente, a viabilidade e a eficiência do projeto mudam: sobe o custo, o cronograma atrasa e a escala planejada encolhe.

Quando não há água, a saída é o resfriamento seco — ar no lugar de água. O método é bem menos eficiente e aumenta a demanda elétrica da instalação, o que carrega ainda mais a rede exatamente nos picos de verão. A restrição hídrica não some na troca. Ela vira pressão sobre a rede elétrica.

O que os pesquisadores pedem

São três frentes.

Reportar o pico, não só o total anual. É o número que a concessionária precisa para dimensionar a rede, e é o que hoje não se publica.

Dividir a conta da infraestrutura. Parcerias entre empresas e comunidades para financiar a ampliação, de modo que o morador não banque sozinho a expansão exigida pelo data center.

Alternar o modo de resfriamento junto com a concessionária. Água quando a rede elétrica está sobrecarregada, resfriamento seco quando o sistema de água está sob pressão. A parte seca usaria ventiladores ou compressão de vapor, tecnologia parecida com a do ar-condicionado doméstico, e costuma exigir bem mais eletricidade.

O que o estudo não responde

O trabalho ainda não passou por revisão por pares. O escopo é o território norte-americano, e nada no material apurado trata de outros países. O estudo também não abre consumo por operador: a falta de transparência que ele aponta como problema é a mesma que limita os próprios números.

--- Apurado em 1 veículo de 1 país.