Governos de Europa e outros países desligaram Sites oficiais após a divulgação de falhas críticas no PHP — linguagem usada por WordPress, Drupal e outras plataformas — aos quais alguns hackers já teriam tentado explorar.
Em meio a uma corrida global para aplicar correções, especialistas temem uma onda de invasões em massa a servidores vulneráveis. A descoberta foi feita com auxílio de inteligência artificial, segundo o blog da empresa Wiz, que destacou o papel de ferramentas como Wiz Atlas, Gemini 4 Argon e GPT-5.6 Sol.
Alerta global após falha em PHP
A falha, que esteve oculta no código PHP por mais de uma década, só foi encontrada graças à capacidade de análise automatizada da IA. Segundo o post da Wiz, antes da popularização dessas tecnologias, "esse trabalho manual seria difícil de implementar e ainda mais complexo de escalar".
Com a correção agora disponível publicamente e os bots de IA aptos a decifrar o erro rapidamente, especialistas como Costin Raiu, da TLP:Black, alertam para uma "corrida para explorar" o sistema. Ele prevê o "compromisso em massa de todos os servidores vulneráveis". A língua PHP abriga grandes partes da web, sendo usada por WordPress, Drupal, Joomla e Magento.
Agências de cibersegurança na Europa, Austrália, Japão e Reino Unido já orientaram usuários a atualizar o PHP ou desligar os sites até que os patches sejam aplicados. A agência holandesa de cibersegurança, por exemplo, desligou seus próprios sistemas como medida preventiva. A Wikipedia também removeu parte de seus servidores até que fossem actualizados.
Líderes políticos reagem
Alguns governantes também se envolveram. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, publicou em sua conta no X uma recomendação para que proprietários de sites verifiquem o uso de PHP e apliquem a nova correção.

Wiz destacou que contou com a colaboração de empresas como Google Cloud, Cloudflare, AWS, Microsoft, Automattic, Fastly, Akamai, Imperva e Vercel para desenvolver mitigações. O incidente também chegou à mente do Governo dos EUA: a Casa Branca afirmou que tomou conhecimento da falha na sexta-feira e ressaltou a importância da liderança americana em IA.
Dados de chats podem treinar modelos de IA
Enquanto o mundo reage a vulnerabilidades como essa, uma preocupação paralela envolve o uso das conversas feitas com assistentes de inteligência artificial. Gêmeos como ChatGPT, Gemini e Claude podem armazenar, analisar e utilizar os diálogos para aprimorar seus modelos — colocando em risco dados sensíveis compartilhados sem intenção.
No ChatGPT, por exemplo, o usuário pode optar se suas conversas novas serão usadas para melhorar os modelos da OpenAI. Desativar essa função não exclui o histórico. No Gemini, o gerenciamento depende da Atividade do app, retenção por padrão por 18 meses.
O que ainda não foi divulgado
Não há informações sobre quais grupos específicos de hackers estão explorando a falha em PHP no momento. Também não foi divulgado quando exatamente a Wiz identificou a vulnerabilidade ou quantos sistemas já foram afetados fora dos casos públicos mencionados.


