Professores, pesquisadores e executivos do Vietnã estão pedindo ao governo a criação de um laboratório compartilhado para o desenvolvimento de chips. O debate ocorreu em 13 de agosto de 2026, em Hanói, durante fórum sobre semicondutores organizado pelo Centro Nacional de Inovação (NIC), conforme noticiou o VnExpress.
O custo da fragmentação
O professor associado Huỳnh Đăng Chính, vice-diretor da Universidade Politécnica de Hanói, viu um problema claro na formação atual: teoria sem prática real. "A capacitação exige ambiente real", disse ele. A solução apontada foi unificar equipamentos caros que hoje cada instituição tenta adquirir sozinha. A ideia é criar o primeiro coletivo do país dedicado exclusivamente à área.
Trần Xuân Tú, diretor do Instituto de Tecnologia da Informação da Universidade Nacional de Hanói, reforçou o argumento financeiro. Em vez de dispersar verbas em compras isoladas, o investimento deveria ser concentrado em centros de pesquisa de uso comum. Isso amplia o número de universidades e entidades com acesso a máquinas de ponta.
Vista do setor privado
A perspectiva empresarial veio por Nguyễn Văn Khoa, CEO da FPT. Para ele, investir sozinho em tecnologia de semicondutores é inviável: o capital inicial é alto, a atualização tecnológica é rápida e os custos operacionais pesam. A sugestão foi uma rede nacional de infraestrutura compartilhada.
Foco não seria apenas produzir, mas garantir segurança. Khoa destacou a engenharia reversa como ferramenta crucial para verificar se os designs usados no país têm falhas ou riscos. A empresa já anunciou disposição para co-investir nos novos laboratórios, mirando testes de chips, controle de falhas e avaliações de produto.

Projeto concreto em Hòa Lạc
Não é só discurso. O NIC está preparando a implantação desse modelo em Hòa Lạc, região metropolitana de Hanói. Segundo Võ Xuân Hoài, vice-diretor do centro, um memorando de entendimento foi firmado com a Thermo Fisher Scientific. O objetivo é construir um espaço híbrido — semicondutores e biociências — seguindo padrões internacionais.
Gianluca Pettiti, presidente e COO da Thermo Fisher Scientific, apontou a lacuna estrutural vietnamita. O país precisa conectar academicamente a pesquisa às empresas e aumentar o volume de investimentos em infraestrutura. O projeto de Hòa Lạc atenderia startups, institutos e grandes corporações simultaneamente.
Questão de segurança nacional
A aposta governamental é antiga. Semicondutores foram incluídos entre as dez tecnologias estratégicas definidas em maio de 2026. Na lista prioritária de 30 produtos tecnológicos, os chips figuram como base para o crescimento econômico futuro e para a autonomia da defesa nacional.


