Pesquisadores identificaram que 89% dos artigos biomédicos de acesso aberto disponíveis na base Pubmed Central exibem sinais de escrita assistida por modelos de linguagem (LLMs). O dado, referente ao final de 2025, consta em um estudo publicado na plataforma arXiv, que propõe um novo método para estimar o uso dessas tecnologias em textos acadêmicos.
Metodologia e prevalência por seção
O trabalho, assinado por Lena Holzwarth, Rita González-Márquez e Dmitry Kobak, baseia-se na análise de mudanças nas frequências de palavras específicas que são associadas ao vocabulário gerado por IA. Segundo os autores, a prevalência do uso varia conforme a parte do documento analisada.
- A seção de Discussão apresenta a maior incidência, com 68% dos parágrafos contendo evidências de auxílio por LLM.
- A seção de Métodos, embora menos propensa a intervenções de linguagem, ainda assim apresenta sinais de IA em 32% dos parágrafos, com uma prevalência global superior a 50% em toda essa estrutura.
Contexto de monitoramento acadêmico
O estudo destaca que, embora o uso de IAs possa remover barreiras linguísticas para pesquisadores, a prática levanta preocupações sobre possíveis casos de má conduta e fraude na academia. Os autores defendem que estimativas mais precisas são necessárias para informar as futuras políticas e diretrizes institucionais sobre o tema.
O que ainda não foi divulgado
- O estudo não detalha quais subáreas específicas da biomedicina apresentam maior ou menor adesão a essas ferramentas.
- Não foram detalhadas as possíveis distinções entre o uso da IA para revisão gramatical básica e a geração completa de conteúdo.
- Não há informações sobre se o uso de IA correlaciona-se com o índice de impacto das revistas onde os artigos foram publicados.


