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USDA testa satélites e IA para melhorar estimativas agrícolas

USDA usa satélites e IA para estimar safras, diante de críticas de produtores

02 de set., 09:10 6 fontes · 6 países Infra
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Imagem de satélite mostrando campos agrícolas nos Estados Unidos Foto: dp singh Bhullar / Pexels

O USDA anunciou um projeto-piloto. Ele usará satélites, inteligência artificial e machine learning para calcular a área plantada e a produtividade das safras americanas. Isso ocorre enquanto agricultores e traders criticam cada vez mais a confiabilidade dos dados oficiais.

A secretária Brooke Rollins contou o plano de modernização na quarta-feira (2), no Farm Progress Show, em Boone, Iowa. O anúncio veio após um mês de audiências com produtores rurais. Ela disse que o projeto, feito com a NASA e outras agências federais, junta imagens de satélite, ferramentas geoespaciais, modelos de cultivo e pesquisas antigas com agricultores.

Erros recordes em 2025 e o estopim da crise

O USDA já havia recebido muitas queixas sobre a qualidade de suas estatísticas. Em 2025, as diferenças entre as estimativas iniciais e finais de área plantada e colhida de milho chegaram a níveis sem precedentes, de acordo com a Reuters. Os relatórios do NASS, que afetam preços de commodities, renda de produtores e programas federais, fizeram os preços dos grãos cair mais de 5% em janeiro, quando eles já estavam em níveis baixos. Os cortes grandes na equipe da agência também foram criticados.

Rollins reconheceu publicamente a perda de confiança e disse que o USDA precisa reconstruir a credibilidade de seus dados. O novo sistema deve reduzir a quantidade de informações que o governo pede aos agricultores repetidamente, ao mesmo tempo que torna as estatísticas mais rápidas e precisas.

Agricultor usando tablet em campo de milho
Foto: Gustavo Fring / Pexels

Pressão política em Iowa e o fator eleitoral

A visita de Rollins a Iowa está em um momento político delicado. O Cook Political Report, um grupo de análise eleitoral apartidário, mudou a classificação da disputa no Senado para o estado — um stronghold republicano com grande importância agrícola — de “tendência republicana” para “disputa acirrada”. Os agricultores da região enfrentam tarifas, altos custos de diesel e fertilizantes, no contexto do conflito entre EUA e Irã. A insatisfação com os dados do USDA junta-se a queixas mais amplas sobre políticas do governo Trump.

Em agosto, uma audiência na Feira Estadual de Iowa viu pecuaristas criticar o anúncio do presidente Trump de que os EUA aumentariam as importações de carne bovina argentina — medida justificada como forma de reduzir preços para os consumidores. As audiências, iniciadas em 4 de agosto no Minnesota, continuaram até o outono, disse o porta-voz do USDA, Harry Fones.

O que ainda não foi divulgado

Para o agronegócio brasileiro, essa mudança tem uma relevância direta. Os EUA são o maior produtor de milho e soja do mundo, e seus dados oficiais guiam os preços internacionais — afetando diretamente a rentabilidade de exportadores e produtores no Brasil. Se o projeto melhorar a precisão das estimativas, o mercado de commodities pode ficar mais previsível. Se falhar, as distorções serão sentidas em ambos os lados do hemisfério.

Apurado em 6 fontes

Reuters · iTnews (Austrália)

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