Joseph Stiglitz alerta que o entusiasmo crescente com a inteligência artificial está se transformando em uma bolha financeira que pode gerar riscos macroeconômicos, segundo o Ekonomim. Ele defende mais competição, regras que responsabilizem as empresas de IA e difusão ampla dos ganhos de produtividade. O Ekonomim ainda traz projeções do BIS: as maiores companhias de tecnologia devem destinar mais de US$ 1 trilhão em projetos de IA entre 2025 e 2026, enquanto o aporte global em IA pode chegar a entre US$ 3 e US$ 4 trilhões até 2030.
Riscos econômicos e sociais apontados por Stiglitz
Stiglitz afirma que, sem mais competição, os lucros das grandes empresas de IA podem se concentrar e impedir novos entrantes.
Ele propõe regras que tornem as companhias responsáveis pelos algoritmos e pelos resultados que geram.
Defende que os aumentos de produtividade sejam compartilhados, senão a demanda agregada pode cair.
Ele alerta que a adoção lenta pode frustrar os retornos esperados pelos investidores e levar ao estouro da bolha.
Uma difusão demasiado rápida pode criar excesso de capacidade, deixar vagas de trabalho vazias e reduzir a demanda.
Stiglitz também chama atenção para o risco de que os ganhos de produtividade fiquem concentrados nas mãos de poucos, o que agrava a desigualdade de renda e enfraquece o consumo familiar.
Quando o consumo cai, os lucros das empresas também sofrem pressão.
Ele vê a IA como potencial fonte de deepfakes e desinformação, sobretudo quando os dados de entrada são de baixa qualidade.
Sem medidas que melhorem a qualidade desses dados, a tendência é um aumento de conteúdo enganoso gerado por máquinas, o que pode reduzir a receita dos produtores de notícias e ampliar a presença de informações pouco substantivas online.

Para enfrentar esses desafios, ele propõe uma agenda progressista de IA: políticas de concorrência mais agressivas, mecanismos que exijam prestação de contas dos algoritmos e uso parte dos lucros obtidos durante o período de exuberância para financiar tributos redistribuídos à sociedade.
Projeções de investimento e recomendações de política
O Ekonomim ainda traz números divulgados pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS).
De acordo com o diretor geral do BIS, Pablo Hernández de Cos, as maiores companhias de tecnologia devem alocar mais de US$ 1 trilhão em projetos de IA entre 2025 e 2026.
Essa estimativa é comparada pelo BIS a ondas de investimento anteriores, como as das ferrovias, da eletrificação e da bolha ponto‑com.
O BIS projeta que o volume global de aportes em IA, hoje próximo de US$ 500 bilhões, possa crescer para entre US$ 3 e US$ 4 trilhões até 2030.
Essas cifras reforçam a visão de Stiglitz de que os ganhos obtidos nesse período devem ser parcialmente revertidos em tributos, de modo que a sociedade como um todo participe dos benefícios da tecnologia.
O Ekonomim não divulga detalhes sobre eventuais contrapropostas de governos ou setores produtivos às ideias de Stiglitz, nem informa quais seriam as alíquotas específicas sugeridas para a tributação dos lucros de IA.
Também não menciona se há consenso entre outros economistas sobre a probabilidade de formação de uma bolha de IA nos próximos anos.


