Membros do Joint Committee on Human Rights (JCHR), do Reino Unido, pediram ao governo a criação de um projeto de lei específico para enfrentar os riscos que a inteligência artificial representa aos direitos humanos, após o comitê concluir que a legislação atual não está preparada para lidar com a expansão da tecnologia.
Relato do comitê e proposta de lei
O JCHR, formado por 12 parlamentares dos partidos Trabalhista, Conservador e Liberal Democrata, lançou um relatório de 100 páginas em 14 de setembro de 2026. Alex Sobel, deputado trabalhista e presidente do comitê, afirmou que, em nenhum país, incluindo o Reino Unido, há uma abordagem legislativa e regulatória para a IA que seja adequada ao propósito. O documento pede a elaboração de um projeto de lei dedicado à IA, a criação de um órgão de supervisão único e independente com base estatutária, e a imposição de obrigações mais rigorosas para sistemas de IA de alto risco em todas as etapas de seu ciclo de vida.
Entre os abusos citados está a geração de imagens sexualizadas de mulheres e meninas por meio de IA, além do escaneamento de rostos sem consentimento. O relatório também recomenda a proibição absoluta de certas aplicações — como técnicas subliminares, perfis inadequados ou uso indevido de dados biométricos — por serem incompatíveis com os direitos humanos.
Contexto político e respostas do governo
Alex Sobel e a ministra da Educação Georgia Gould, ambas do Partido Trabalhista, reconheceram que a IA traz oportunidades, mas alertaram que o governo precisa responder aos riscos. Gould destacou ações já em andamento, como medidas contra deepfakes não consensuais e um projeto de lei vinculado à segurança cibernética. Ela também informou que o AI Security Institute testa modelos de IA à medida que chegam ao Reino Unido e que a cooperação internacional é essencial. O manifesto eleitoral trabalhista de 2024 prometia regulamentação vinculativa para as empresas que desenvolvem os modelos de IA mais poderosos, e o discurso do rei de julho de 2024 se comprometeu a avançar com legislação adequada — mas nenhum projeto de lei dedicado à IA apareceu no discurso do rei de 2026.

Após assumir o cargo em julho de 2026, o primeiro-ministro Andy Burnham garantiu que o ministro de IA, Kanishka Narayan, participasse das reuniões de gabinete, após o desmantelamento do Departamento para Ciência, Inovação e Tecnologia e a redistribuição de suas responsabilidades entre outras pastas.
Posição da indústria
Jacob Coxon, pesquisador de IA que deixou a Anthropic, disse à BBC que os funcionários que desenvolvem os sistemas estão genuinamente assustados com o futuro da humanidade. Uma porta-voz da Anthropic afirmou que a empresa está construindo modelos com algumas das maiores salvaguardas da indústria. Seu diretor-executivo, Dario Amodei, havia apresentado um plano, mas os detalhes não foram divulgados nas fontes consultadas.


