A Society of Professional Journalists (SPJ) dos EUA lançou a primeira revisão de seu código de ética em 12 anos, com diretrizes voltadas ao uso de inteligência artificial e à inclusão de criadores de conteúdo independentes. O texto, de 967 palavras, é 73 palavras maior que a versão anterior e mantém os quatro princípios fundamentais: buscar a verdade e relatá-la, minimizar danos, agir de forma independente e ser responsável e transparente. A atualização ocorre em meio à queda da confiança pública na imprensa e à transformação do mercado de trabalho jornalístico.
Por que a revisão agora
A principal motivação, segundo o comitê de ética da SPJ, foi a rápida disseminação de ferramentas de IA nas redações. Chris Roberts, vice-presidente do comitê e professor da Universidade do Alabama, afirmou à agência AP que a tecnologia pode economizar dinheiro, mas também gerar problemas se não for usada de forma ética. Outro fator é o crescimento dos chamados "creator journalists" — jornalistas independentes que não trabalham para organizações tradicionais. A SPJ quer que esse grupo também tenha um guia voluntário, ainda que o código não tenha poder de enforcement.
Processo de elaboração
O comitê se reuniu presencialmente emIndianápolis em junho, após meses de reuniões virtuais. Dan Axelrod, presidente do comitê e ex-repórter de negócios da Gannett, descreveu o ambiente como "passional", mas sem conflitos físicos. O rascunho final, aprovado após cerca de um ano de trabalho, substitui a versão de 2014 e é apenas a sexta revisão do código desde sua adoção original, em 1926. A SPJ, fundada em 1909, tem cerca de 4 mil membros em todo o país.
Contexto histórico
Axelrod enfatizou a importância do código ao afirmar à AP: "Isso é o modo de proteger a democracia. Isso é para proteger a sociedade. Há um salto de graça de Deus entre uma sociedade sem jornalistas."


