Na quarta‑feira (16/09/2026), o Papa Leão XIV realizou sua audiência geral semanal no Vaticano, dirigindo‑se a milhares de fiéis reunidos na praça de São Pedro, e voltou a alertar contra a crescente dependência de algoritmos, advertindo que há risco de delegar a máquinas decisões que pertencem exclusivamente à responsabilidade humana.
Ele afirmou ser o primeiro papa dos Estados Unidos e destacou que o desenvolvimento tecnológico, a difusão dos meios de comunicação de massa e das redes sociais, bem como o uso cada vez mais intenso da inteligência artificial, abrem novas possibilidades ao derrubar barreiras e distâncias.
Contudo, o pontífice advertiu que essas mesmas tendências tornam as relações humanas menos pessoais e mais virtuais, aumentando o risco de nos habituarmos a deixar que algoritmos tomem decisões que só a consciência humana pode tomar.
Ele acrescentou que cabe à comunidade cristã zelar para que as relações sociais mantenham uma verdadeira espessura e profundidade pessoal, apresentando isso como a contribuição que os fiéis podem oferecer diante dos desafios tecnológicos.
Encíclica e iniciativas vaticanas
No primeiro documento importante de seu pontificado, a encíclica “Magnifica Humanitas” (também citada como Magnífica Humanidade), publicada em maio, Leão XIV fez um apelo para “desarmar” a inteligência artificial, a fim de impedir que ela domine o ser humano.
Nos meses seguintes, o Vaticano intensificou intervenções e iniciativas em prol de uma governança internacional da IA baseada na dignidade humana, mencionando especificamente os setores nuclear, cultural e da criação artística como áreas prioritárias para essa ação.
Reações de especialistas e líderes internacionais
A presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) defendeu a necessidade de uma governança mundial para a inteligência artificial, ressaltando que o movimento atual de empresas de tecnologia dos Estados Unidos por mais regulação cria uma oportunidade para avançar nesse sentido.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que a IA deve ser desenvolvida e utilizada com o ser humano no controle, apontando riscos cada vez mais evidentes que podem colocar em causa a segurança europeia.
O material também menciona que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, tem rejeitado apelos para reduzir o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial, mantendo uma posição favorável à aceleração inovadora.
As preocupações com a IA têm se intensificado nas últimas semanas devido a diversos incidentes de segurança registrados em diferentes setores e à nova tendência dos modelos de inteligência artificial de se aperfeiçoarem de forma autônoma, sem intervenção humana.
O debate também aborda a capacidade do setor de se autorregular, com executivos de companhias como OpenAI, xAI e Anthropic tendo defendido publicamente uma desaceleração no avanço da tecnologia como forma de mitigar riscos.
Diante desses elementos, o alerta do Papa Leão XIV sobre a dependência de algoritmos se insere na conversa global sobre como equilibrar inovação tecnológica com preservação da autonomia e da responsabilidade humana.


