OpenAI firmará aluguel de 20 anos na Ohio, nos Estados Unidos, pelo maior centro de dados de inteligência artificial jamais anunciado. A Nvidia garantiu, por meio de documento bancário, financiamento de até 105 bilhões de dólares — sem, porém, pagar o valor diretamente. O consumo energético do complexo equivaleria ao de sete milhões de lares norte-americanos.
Detalhes técnicos e operacionais
- O centro será construído parcialmente sobre uma antiga fábrica de enriquecimento de urânio da Guerra Fria, conforme informou o Le Figaro. Os primeiros cálculos estão previstos para 2028, com capacidade plena esperada até 2032.
- A garantia da Nvidia não significa um desembolso imediato. O fornecedor de chips se compromete a cobrir perdas de valor caso OpenAI desista e não encontre comprador — afirmação que o presidente Jensen Huang defendeu como diferente de “financiamento circular”. “OpenAI pagará seu aluguel”, afirmou em publicação rara no blog da empresa.
- Projetado para abrigar 1,5 milhão de chips da Nvidia até 2032, o centro oferecerá 8 gigawatts de capacidade de processamento — potência suficiente para suprir a demanda simultânea de milhões de usuários de aplicações de IA.
Impacto econômico e social
- OpenAI estima 35 mil empregos temporários durante a fase de construção e 2.500 vagas permanentes, segundo comunicado oficial.
- Segundo pesquisa Gallup de março, 71% dos americanos se opõem à construção de centros de dados perto de suas casas — uma rejeição crescente diante dos impactos locais dessas instalações.
- A alta nas contas de energia, atribuída em parte ao crescimento desses hubs computacionais, entrou no debate eleitoral dos pleitos de meio de mandato, com candidatos discutindo regulamentação do setor.
- O Wall Street Journal revelou que a Nvidia cogitava inicialmente uma garantia de cerca de 250 bilhões de dólares. A notícia, divulgada em julho, fez o preço da ação da empresa recuar 5%, sinalizando desconfiança no mercado sobre os riscos desse modelo de investimento.
- OpenAI e SB Energy — filial do japonês SoftBank — destacam que o projeto responde à crescente necessidade por capacidade de cálculo, embora reconheçam a resistência popular a novos centros de dados.
Divergências na cobertura internacional
- Le Journal de Montreal destacou a garantia recorde da Nvidia como ponto central, trazendo foco financeiro para a parceria entre as empresas.
- Le Figaro e RFI Afrique deram mais peso à dimensão técnica — incluindo o detalhe da antiga fábrica de urânio — e às implicações energéticas do empreendimento.
O acordo entre OpenAI e Nvidia sinaliza uma nova fase no arms race global pela infraestrutura de IA. Os EUA se tornam epicentro desse batalhão de chips, garantias e preços de energia. Paralelamente, governos como o brasileiro observam de perto os movimentos internacionais, já que a corrida pela capacidade de cálculo ameaça esgotar redes elétricas locais e pressiona reguladores a repensar políticas públicas.

