O secretário executivo da ONU para Mudança do Clima, Simon Stiell, declarou que o projeto Green Energy Corridor-III da Índia trará “grandes dividendos” para a nação ao fortalecer sua rede elétrica e expandir o armazenamento em baterias. A iniciativa, aprovada pelo Gabinete da União indiana, prevê investimento total de Rs 1,86,405 crore para viabilizar a escoação de cerca de 135 GW de energia renovável e implantar 50 GWh de sistemas de armazenamento, apoiando a meta indiana de atingir 500 GW de capacidade não fóssil até 2030.
Orçamento e metas de infraestrutura
O GEC-III (Green Energy Corridor-III) conta com um financiamento total de Rs 1,86,405 crore, dos quais Rs 54,082 crore são destinados como assistência financeira do governo central. Dessas verbas federais, Rs 45,005 crore serão aplicados exclusivamente na modernização dos sistemas de transmissão que operam dentro dos limites territoriais de cada estado da federação.
O projeto prevê a construção de 51.126 quilômetros de linhas de transmissão em configuração circuito, além da instalação de subestações capazes de suportar uma capacidade de transformação agregada de 228.903 MVA. A vigência do esquema está estabelecida para se estender até o término do ano fiscal de 2032-33, permitindo um horizonte de planejamento de longo prazo para os agentes do setor energético nacional.
Impactos econômicos e estratégicos para a Índia
Simon Stiell afirmou que a realização do GEC-III possibilitará à Índia melhor aproveitar seu crescente potencial de geração de energia renovável, fator crítico para atender à elevação contínua na demanda por eletricidade observada em todo o território nacional. Segundo o representante da ONU, isso é indispensável para que o país mantenha sua trajetória rumo ao status de líder global no setor de energia solar, já amplamente reconhecido em fóruns internacionais de sustentabilidade.
O alto-comissário destacou ainda que o armazenamento em baterias assume papel estratégico na busca por maior segurança energética para economias de grande porte, visto que tal tecnologia permite armazenar excedentes de geração durante períodos de baixa demanda para posteriormente suministrá-los nos horários de pico, otimizando assim o uso das fontes renováveis intermitentes. Essa capacidade, segundo Stiell, contribui diretamente para o estímulo ao crescimento econômico sustentável, reduzindo custos operacionais ligados à dependência de combustíveis fósseis.

Além disso, o official das Nações Unidas projetou que a execução do GEC-III deverá gerar novos postos de trabalho nas cadeias produtivas relacionadas à manufatura de equipamentos de transmissão, à construção de redes de alta tensão e à operação de facilities de armazenamento de energia, setores identificados como principais beneficiários da modernização da infraestrutura elétrica em economias em transição para modelos de baixo carbono.
Relevância no contexto global de transição energética
Simon Stiell ressaltou que o avanço do Green Energy Corridor-III desempenhará papel estratégico na afirmação da Índia como referência mundial no segmento de energia solar, considerando que o país já possui uma das maiores capacidades instaladas de painéis fotovoltaicos do planeta. A modernização da rede de transmissão, aliada ao aumento da capacidade de armazenamento, é vista como condição sine qua non para que a nação possa exportar conhecimento técnico e tecnologias associadas a outros mercados emergentes interessados em replicar seu modelo de desenvolvimento sustentável.
Em linhas gerais, o representante da ONU enquadrou o GEC-III dentro do contexto mais amplo da aceleração global na adoção de fontes de energia limpa, ressaltando que iniciativas como esta são essenciais para que o mundo consiga cumprir metas de descarbonização acordadas em fóruns internacionais sem prejudicar o direito ao desenvolvimento de nações em fase de industrialização. Essa perspectiva, acrescentou Stiell, ganha particular relevância diante das projeções que apontam para um crescimento exponencial na demanda por eletricidade limpa nas próximas décadas, especialmente em regiões com alto potencial de irradiação solar como o subcontinente indiano.


