Em 8 de setembro de 2026 a OpenAI anunciou que um de seus modelos de IA ainda não disponível ao público teria resolvido o problema de Navier‑Stokes, um dos seis Problemas do Milênio ainda em aberto, em cerca de 88 horas usando até dez mil agentes de IA trabalhando em paralelo.
Detalhes da afirmação da OpenAI
A empresa disse que o modelo ainda não foi lançado e levou 88 horas para chegar à conclusão, mobilizando até 10 000 agentes de IA em paralelo.
Isso consumiu vários milhões de dólares em capacidade de computação.
O documento de 165 páginas publicado pela OpenAI sustenta que as equações de Navier‑Stokes podem desenvolver uma singularidade em tempo finito, ou seja, a velocidade do fluido poderia crescer sem limite em determinado momento.
A OpenAI deixou claro que não pretende reclamar o prêmio de um milhão de dólares oferecido pelo Clay Mathematics Institute pela solução de cada Problema do Milênio, afirmando que o objetivo da publicação é apenas demonstrar o avanço de seus modelos de IA.
Controvérsia sobre a autoria da solução
Antes do anúncio da OpenAI, o matemático Tristan Buckmaster da Universidade de Nova York e o pesquisador Levent Alpöge da Anthropic haviam publicado trabalhos relacionados ao problema de Euler forçado, uma variante da dinâmica de fluidos.
Buckmaster disse que ele e Alpöge usaram modelos tanto da Anthropic quanto da OpenAI em suas investigações e que, após receberem sinais de que seu método estava sendo seguido, a OpenAI teria iniciado seus próprios testes no mesmo campo.
Segundo Buckmaster, a OpenAI lhe disse ter criado uma prova de cerca de 100 páginas mostrando a formação de singularidade nas equações de Navier‑Stokes, mas que o conteúdo e os resultados seriam diferentes dos obtidos por ele e Alpöge.

Em comunicado, a OpenAI afirmou não ter acessado dados privados de nenhum usuário e que, embora a possibilidade de que informações anonimizadas coletadas durante o uso de seus produtos tenham contribuído para o aprimoramento dos modelos não possa ser descartada, não há evidência direta de tal uso.
A empresa também ressaltou que suas provas são diferentes das de Buckmaster e Alpöge e que os resultados consequentes também divergem.
Contexto dos Problemas do Milênio e reações
Até o momento, apenas um dos sete Problemas do Milênio havia sido resolvido: a conjectura de Poincaré, demonstrada por Grigori Perelman no início deste século.
Especialistas consultados pela AFP e por veículos como o Times destacaram que, mesmo que a demonstração esteja correta, a quebra matemática não implica necessariamente que fluidos reais possam explodir espontaneamente, já que as condições necessárias talvez não ocorram na prática.
Mark Chen, diretor de pesquisa da OpenAI, descreveu o feito como um passo adiante para a pesquisa em IA.
Sam Altman, CEO da companhia, foi mencionado em relatos como estando envolvido nos testes iniciais do modelo com os Problemas do Milênio.


