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NYT acusa Microsoft e OpenAI de usar notícias como roubo

New York Times alega que Microsoft e OpenAI usaram milhões de artigos jornalísticos para treinar modelos de IA sem autorização, descrevendo o ato como 'roubo hi

18 de set., 08:06 atualizada 18 de set., 08:18 · v2 27 fontes · 15 países Regulação
RegulaçãoOpenAIMicrosoft
martele de juiz sobre uma bancada de tribunal Foto: KATRIN BOLOVTSOVA / Pexels

O New York Times acusou a Microsoft e a OpenAI de usar mais de 10 milhões de artigos jornalísticos — quase um terço deles do próprio jornal — para treinar modelos de inteligência artificial, segundo documento judicial divulgado em 18 de setembro. O processo afirma que um executivo da Microsoft descreveu o Episódio como 'um asombroso roubo de proporções sem precedentes' e possivelmente 'o maior roubo de trabalho na história da humanidade'. O NYT alega que as empresas sabiam que o uso não autorizado de conteúdo noticioso constituía furto contra direitos autorais.

Contexto e fundamentos da acusação

Segundo o Free Malaysia Today, o scraping realizado pela OpenAI alcançou mais de 10 milhões de artigos, dos quais cerca de 3,3 milhões pertenciam ao New York Times. O documento judicial citado pelo veículo malaio indica que Brent Hecht, diretor de Ciência Aplicada da Microsoft, teria alertado internamente sobre a gravidade do ato, qualificando-o como 'um asombroso roubo de proporções sem precedentes' e sugerindo que poderia tratar-se do maior furto de trabalho intelectual já registrado.

Breves retratos da cobertura estrangeira ilustram nuances distintas: enquanto o jornal argentino La Nación destaca que vários veículos de notícias se juntaram ao NYT na ação legal — citando Ziff Davis, que controla o CNET, o canal investigativo The Intercept e o magazine Mother Jones — o mexicano El Universal enfatiza a dimensão histórica das palavras de Hecht, reforçando o tom de escândalo envolvendo não apenas direitos autorais, mas também o impacto potencial sobre o tráfego de notícias em sites tradicionais.

Diario Libre, da República Dominicana, traz uma perspectiva complementar ao mencionar preocupações levantadas por engenheiros da própria OpenAI: mesmo após acordos de licenciamento assinados com diversos grandes editores — incluindo a Bloomberg e a Axel Springer — figuras próximas à empresa teriam considerado insuficientes as tentativas posteriores de citar fontes com hiperlinks nos resultados gerados pela IA.

Defesa das empresas e reações institucionais

Microsoft e OpenAI reconhecem ter utilizado conteúdo de terceiros, mas defendem que o treinamento de modelos de linguagem constitui uso transformador, enquadrado na exceção de fair use prevista em leis de direito autoral. Essa posição é reforçada pelo argumento de que a inovação em IA depende precisamente de algoritmos capazes de aprender com textos amplamente disponíveis, mesmo que não sejam de autoria da própria empresa.

servidores com luzes indicando processamento de inteligência artificial
Foto: Pixabay / Pexels

Em meio a essa disputa, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou documento em apoio às empresas no início de setembro, invocando progresso científico, crescimento econômico e segurança nacional como justificativas para o uso dos dados. Para o órgão federal, restrições muito rígidas ao acesso a conteúdo textual poderiam dificultar avanços tecnológicos considerados estratégicos para o país.

A Microsoft já afirmou que as declarações atribuídas a Brent Hecht representam apenas opiniões pessoais de um funcionário e não refletem política corporativa oficial.

Indenização e perspectivas judiciais

O New York Times propõe indenização por cada um dos artigos supostamente utilizados sem autorização, ainda que não tenha divulgado o valor total das sanções buscadas. A estratégia inclui também pedido de sentença sumária — mecanismo que, se concedido pelo juiz Sidney Stein, encerraria o litígio sem necessidade de julgamento completo.

Mesmo com essa pressão judicial, especialistas apontam que decisões não são esperadas até 2027, indicando que o caso seguirá por mais tempo. Enquanto isso, outras publicações continuam observando o desdobramento, especialmente porque o desfecho pode definir precedentes globais sobre os limites do uso de conteúdo jornalístico no treinamento de IA.

Apurado em 27 fontes

Free Malaysia Today — economia (Malásia) · La Nación (Argentina) · Diario Libre (República Dominicana) · El Universal (México)

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