A Nvidia estabeleceu uma aliança com seis grandes empresas de Wall Street para criar uma plataforma de financiamento de US$ 500 bilhões voltada à infraestrutura de inteligência artificial. A iniciativa, formalizada por meio de memorandos de entendimento assinados no dia 10, envolve as firmas Apollo Global Management, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR.
Estrutura da operação e financiamento
O modelo prevê que cada parceiro financeiro utilize suas competências em áreas como crédito privado, fundos de infraestrutura, títulos lastreados em ativos (ABS) e financiamento de projetos para viabilizar a construção de centros de dados. Segundo a Nvidia, o capital será direcionado prioritariamente para apoiar seus clientes na criação do que a empresa denomina fábricas de IA. O CEO Jensen Huang declarou que a companhia atua na construção dessa infraestrutura sob a premissa de que o poder computacional equivale a receita.
A captação deve ocorrer via veículos de finalidade específica (SPVs) que emitem dívidas. Esses ativos são posteriormente empacotados em ABS para revenda a investidores institucionais e, em alguns casos, pessoas físicas. O processo conta com uma isenção da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) quanto a exigências de retenção de risco e divulgação detalhada para investidores.

Riscos e recepção do mercado
Analistas e veículos financeiros, como o Financial Times, associam o formato a práticas tradicionais de financiamento a fornecedores, apontando preocupações com a disseminação de riscos pelo setor financeiro. Existe um temor recorrente sobre operações circulares, nas quais empresas clientes utilizam dívidas arranjadas por meio dessas estruturas para adquirir chips da própria Nvidia.
A exposição da Nvidia nessas garantias está limitada a 25%. Imediatamente após o anúncio da aliança, as ações da fabricante de chips registraram queda de 2,86%, enquanto papéis de instituições parceiras, como Blackstone e Apollo Global Management, apresentaram valorização.


