A Nvidia anunciou que pode eliminar quase totalmente o consumo de água para refrigeração em alguns de seus data centers de inteligência artificial com o sistema DSX, sua plataforma mais recente para projetar e gerenciar essas instalações. Em 2025, os data centers consumiram 222 bilhões de litros de água no mundo para resfriamento, segundo a consultoria Rystad Energy. Sem medidas de adaptação, o volume pode triplicar para 644 bilhões de litros até 2030, estima a Rystad.
Como funciona a nova tecnologia
O método da Nvidia usa um sistema de refrigeração de circuito fechado, no qual o líquido circula diretamente pelos servidores, o mais próximo possível dos chips, que podem ultrapassar 80°C. A inovação está na temperatura da água que entra nos servidores: 45°C, contra cerca de 32°C da maioria dos sistemas fechados em 2024, segundo o Uptime Institute, entidade que certifica data centers. Com água mais quente, a Nvidia não precisa bombear ar refrigerado o ano todo — "ventiladores simples circulando o ar" geralmente bastam, disse Josh Parker, diretor de sustentabilidade da empresa, ao Free Malaysia Today. Em climas extremos ou ondas de calor, ainda é necessário usar ar gelado ou evaporação de água, ressalvou.
O trade-off entre água e energia
O pesquisador independente Andy Masley apontou ao Free Malaysia Today uma limitação: "há uma troca direta entre quanta água é usada e quanta energia é usada" para controle de temperatura. Cortar o consumo de água geralmente aumenta o consumo de energia, porque o líquido nas tubulações ainda precisa ser resfriado — e isso exige eletricidade. Shaolei Ren, professor de engenharia da Universidade da Califórnia em Riverside, disse ao Economic Times que "como a água é geralmente muito mais barata que a eletricidade", as empresas têm menos incentivo econômico para reduzir o uso de água. "Os incentivos existem", afirmou Ren, "mas têm mais a ver com relações públicas" diante da crescente reação negativa aos data centers nos Estados Unidos.
O que as grandes empresas estão fazendo
Microsoft, Amazon Web Services (AWS) e Meta disseram à AFP que também usam sistemas de circuito fechado que, segundo elas, envolvem perda líquida zero de água. Os dois gigantes de computação em nuvem, que expandiram seus data centers entre 2022 e 2025, melhoraram a eficiência no uso de água em 25% (Microsoft) e 37% (AWS), de acordo com seus relatórios mais recentes de sustentabilidade. Não há, no entanto, consistência no setor sobre como as empresas reportam dados de ESG. A SpaceX, de Elon Musk — que se tornou um grande player de data centers após adquirir sua empresa de IA xAI — nunca publicou um relatório ESG. Em junho, a agência de classificação MSCI deu à SpaceX sua pior nota em ESG. Minh K. Le, líder de pesquisa em data centers da Rystad, observou que atualizar data centers antigos para a nova tecnologia é caro, mas isso pode ser menos relevante do que parece: as instalações mais antigas são menores e menos potentes, portanto precisam de menos refrigeração.


