Narendra Modi projetou a Índia como potência energética em 2047 durante seu discurso no Forte Vermelho neste sábado (15). O primeiro-ministro traçou o caminho para 100 gigawatts de capacidade nuclear e destinou 85 mil crores de rúpias — cerca de US$ 10 bilhões — à exploração de petróleo e gás em águas profundas. A palestra marcou os 80 anos da independência do país.
A meta nuclear é central na estratégia de segurança energética. "A segurança energética é a exigência do momento", declarou Modi, segundo a India TV. O governo quer iniciar cinco novos reatores nesta década. A abordagem mudou radicalmente: zonas antes proibidas agora são liberadas para o setor, invertendo décadas de restrições ambientais e sociais que bloqueavam a expansão nuclear.
Dinheiro pesado para o alto-mar
O orçamento de 85 mil crores rúpias financia a iniciativa Samudra Manthan. O objetivo é acelerar a prospecção de reservas em mar profundo, reduzindo a vulnerabilidade da Índia às flutuações globais de preços. A dependência externa de combustíveis fósseis sempre foi um ponto frágil da economia indiana; o plano é transformar isso em autonomia.
Modi também atacou diretamente as especulações sobre escassez geradas pelo conflito no Oriente Médio. Segundo o premier, rumores sobre falta de gasolina, diesel e gás de cozinha foram usados para criar pânico artificial. Os dados do governo contrariam essa narrativa: a rede de gás encanado já atende 700 cidades e o estoque de ureia está preservado.
Visão 2047: tecnologia e representatividade
Para além da infraestrutura física, o discurso do Republic World destaca o roteiro Shakti Ki Saptadhara. São sete pilares para a transformação do país em uma nação desenvolvida até 2047 (Viksit Bharat): manufatura, agricultura, tecnologia, conectividade, defesa, economia azul e poder brando.

No eixo tecnológico, a aposta é alta. Modi anunciou treinamento em inteligência artificial para 1 crore (10 milhões) de jovens. Paralelamente, sete ou oito novas fábricas de semicondutores devem entrar em operação nos próximos dois anos, um movimento direto para inserir a Índia na cadeia produtiva global de chips.
Questões estruturais também ganharam espaço. Pela primeira vez em tal magnitude, o PM defendeu cotas de 33% para mulheres no Parlamento e nas assembleias estaduais. Cursos gratuitos online para concursos públicos completam o pacote de mobilidade social apresentado.
Fechamento com a retórica da autossuficiência
A fala encerrou reforçando o lema Atmanirbhar Bharat. Modi incentivou micro, pequenas e médias empresas a utilizarem os acordos de livre comércio assinados desde 2014 com aproximadamente 40 países. A mensagem final, repetida pela India TV, era clara: a Índia não viverá mais sob a sombra da dependência externa, mas sim através de iniciativas locais como Make in India e Swadeshi.


