A Microsoft reduziu em 80% as compras de créditos de remoção de carbono no primeiro semestre de 2026, período em que intensificou os gastos com infraestrutura de inteligência artificial. A empresa adquiriu 8,55 milhões de toneladas métricas até meados de julho, ante o mesmo período de 2025, segundo cálculos da BloombergNEF. Ao mesmo tempo, a pegada de carbono da companhia subiu 25% no ano passado, de acordo com seu relatório de sustentabilidade mais recente.
Corte de 80% nas compras de carbono
Os créditos de remoção de carbono comprados pela Microsoft somaram 8,55 milhões de toneladas métricas até meados de julho, volume cerca de 80% menor do que o registrado no mesmo intervalo de 2025, apurou a BloombergNEF. A empresa caminha para o primeiro recuo nesse mercado desde que passou a atuar no segmento, em 2020.
Em abril, a Bloomberg News informou que a Microsoft havia suspendido parte das compras por razões financeiras. Na ocasião, a companhia disse que o programa não estava encerrado.
Emissões da Microsoft continuam subindo
A demanda por eletricidade para alimentar os sistemas de IA, combinada com a implantação lenta de fontes de energia mais limpas, elevou em 25% as emissões da Microsoft no ano passado, mostra o relatório de sustentabilidade mais recente da empresa. O movimento coloca em conflito a corrida por escala em IA e as metas climáticas assumidas anteriormente pela companhia.
Em comunicado por e-mail à Bloomberg News, a Microsoft afirmou que a aquisição de créditos de remoção de carbono é um dos pilares de sua estratégia de descarbonização. “Quaisquer ajustes que realizemos fazem parte de nossa abordagem disciplinada e não representam uma mudança em nosso nível de ambição”, disse um porta-voz.

Impacto no mercado voluntário
Apesar da retração, a Microsoft continua sendo a maior compradora do mercado voluntário de remoção de carbono, respondendo por quase metade de todas as transações realizadas em 2026 até agora, segundo a BloombergNEF. A relevância da empresa no segmento significa que qualquer mudança em seu nível de comprometimento afeta todo o mercado.
As vendas globais de créditos de remoção de carbono somaram 18 milhões de toneladas métricas até meados de julho, queda de 66% na comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados da BloombergNEF. Layla Khanfar, analista da BloombergNEF, afirmou que a atuação da Microsoft enviou um sinal para outras empresas de que a remoção de carbono é um investimento que vale a pena. “Se a empresa reduzir sua participação, isso também transmite uma mensagem ao mercado, e outras companhias podem não se sentir motivadas a assumir seu papel como principal defensora dessa agenda.”
Cientistas apoiados pela ONU alertam que a redução de emissões não será suficiente para evitar os piores efeitos do aquecimento global. Até meados do século, será necessário remover anualmente bilhões de toneladas de CO₂ da atmosfera. Tecnologias como a captura direta de ar ainda têm custos altos para implantação em larga escala, o que torna o setor fortemente dependente de compradores corporativos voluntários.


