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Matt Clifford deixa Aria após conflito de interesse com a Anthropic

Matt Clifford, ex-presidente da Aria, anunciou saída após assumircargo integral na Anthropic, gerando críticas de parlamentares sobre conflito de interesse.

07 de set., 19:24 3 fontes · 2 países Regulação
RegulaçãoAnthropic
Sala de reuniões em prédio governamental com funcionários Foto: Kadir Akman / Pexels

Matt Clifford, arquiteto da política de IA do Reino Unido, anunciou sua saída do cargo de presidente da Advanced Research and Invention Agency (Aria) após passar a trabalhar integralmente na Anthropic, empresa por trás do chatbot Claude, em meio a preocupações de conflito de interesse levantadas por parlamentares.

Conflito de interesse e reação parlamentar

A decisão de Clifford de integrar a Anthropic em tempo integral gerou desconforto entre deputados seniores, principalmente a presidente da comissão de ciência, inovação e tecnologia da Câmara dos Comuns, Chi Onwurah, que classificou a situação como um “conflito de interesse claro” e encaminhou carta ao ministro de IA, Kanishka Narayan, pedindo esclarecimentos.

Onwurah questionou como o movimento ocorreu, quais avaliações de conflito foram feitas e quais salvaguardas estavam sendo colocadas para proteger a confiança na governança da Aria.

Histórico de portas giratórias e comentários de especialistas

A saída de Clifford evidencia um padrão de transição entre cargos públicos e empresas de IA, citando exemplos como o ex-primeiro-ministro Rishi Sunak, que passou a trabalhar para a Anthropic e a Microsoft, o ex-chanceler George Osborne, agora na OpenAI, e Nick Clegg, que exerceu função sênior na Meta até 2025.

Tom Brake, diretor-executivo da organização sem fins lucrativo Unlock Democracy, advertiu que levar conhecimento detalhado de uma política sensível como IA para o setor privado logo após deixar o governo pode enfraquecer a posição do Estado ao defender uma abordagem preventiva ao desenvolvimento de IA.

O artigo também menciona a declaração do pioneiro da IA Geoffrey Hinton, que apoiou um projeto de lei parlamentar para proibir a criação de superinteligência, alertando que perder o controle sobre uma IA mais inteligente que humanos pode levar até à extinção humana.

Permanência até novembro e questões em aberto

Clifford afirmou que permanecerá no cargo até 6 de novembro, com salvaguardas apropriadas para evitar potenciais conflitos, embora tenha destacado que seu objetivo é garantir que sua nova função na Anthropic não se torne uma distração para o trabalho da Aria.

Palestrante em evento de inteligência artificial com slide ao fundo
Foto: Youn Seung Jin / Pexels

Onwurah deu boas-vindas à decisão de Clifford, mas reiterou que permanecem questões sobre como a situação surgiu, quais avaliações de conflito foram realizadas e quais mecanismos de proteção estão em vigor.

Beeban Kidron, parlamentar cruzana e crítica da política de IA do governo, também celebrou a renúncia, afirmando que reconstruir a confiança exigiria uma linha clara entre interesses de tecnologia e os de cidadãos e da nação.

Trajetória de Matt Clifford no setor de tecnologia e governo

Antes de assumir a presidência da Aria em 2022, Clifford foi co-fundador da empresa de venture capital Entrepreneurs First, tornando-se uma figura influente no ecossistema de startups do Reino Unido.

Também atuou como conselheiro de IA do primeiro-ministro Keir Starmer em janeiro de 2025, cargo que deixou após seis meses por razões pessoais, segundo informou o próprio.

Durante sua passagem pelo governo, ajudou a organizar a cúpula de segurança de IA realizada no Reino Unido em 2023 e foi um dos principais articuladores da agenda de ciência e tecnologia do executivo.

Apurado em 3 fontes

The Guardian US (Estados Unidos)

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