Maria Ressa, premio Nobel da Paz, alerta que a inteligência artificial está sequestrando a atenção humana e a biologia — por meio de chatbots — e que, sem legislação urgente, a humanidade perderá sua agência diante de modelos agente e multiagente.
Contexto das declarações
Maria Ressa, jornalista filipino-americana e cofundadora do Rappler, falou em Oslo, em 4 de setembro de 2026, em uma conferência sobre ameaças às democracias. Sua entrevista, publicada em 15 de setembro, foi cobrada pelas BusinessLIVE, ARY News e Business Day.
Ela é jornalista filipino-americana, cofundadora e ex-CEO do Rappler — venceu o Nobel da Paz em 2021 com outro laureado — e atualmente é copresidenta do painel científico internacional da ONU sobre inteligência artificial.
Três ondas da IA segundo Ressa
A primeira onda da IA, segundo Ressa, são as plataformas de mídia social que capturam a atenção, polarizam sociedades e isolam indivíduos.
A segunda onda é a manipulação da intimidade por meio de chatbots. Eles hackeiam a biologia humana, criando dependências como vicios.
A terceira onda são os sistemas agente e multiagente — modelos de fronteira — que criam máquinas que não só imitam o comportamento humano, mas agem no nosso nome, ameaçando a agência das pessoas.
Visão sobre responsabilização das empresas
Ressa disse que o primeiro passo para mudar o cenário é fazer as empresas de tecnologia responderem pelos danos que já causaram.
Ela citou os processos judiciais nos Estados Unidos que fizeram a Meta Platforms concordar em pagar até 18 bilhões de dólares (R$ 292,55 bilhões) nos próximos anos e limitar fortemente o uso do Facebook e Instagram por adolescentes.

Ela defende a remoção de recursos viciantes não só para jovens, mas para todos os usuários, dizendo que o dano afeta adultos também.
Contraste com regulamentos existentes e proposta de plataformas públicas
Ressa saudou iniciativas da UE e da Austrália que limitam a idade nas redes sociais, mas disse que essas medidas não resolvem a falha fundamental: as ferramentas continuam viciantes para adultos.
Ela propôs a criação de plataformas de comunicação por grupos de interesse público, fora do controle das grandes tecnologias — como parques verdes, obras públicas.
Como exemplo, ela citou o Rappler Communities, lançado em 2023, que usa o protocolo aberto e descentralizado Matrix para conectar a redação com os leitores.
Ela também disse que, antes de suas declarações, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, havia pedido às empresas de IA que reduzissem o ritmo de desenvolvimento dos modelos, diante de temores de uso indevido.


