Investidores institucionais recuaram de ações de megacaps de tecnologia, semicondutores e infraestrutura de inteligência artificial no segundo trimestre. A análise da Reuters, baseada em 6.371 formulários 13F enviados à SEC, indica cautela generalizada e falta de consenso sobre o futuro do setor.
Dos gestores que reportaram mudanças, 44% cortaram as posições nas Magnificent Seven — grupo formado por Microsoft, Meta, Nvidia e Alphabet. Um percentual ligeiramente menor, 42%, iniciou ou expandiu apostas nesse bloco. O restante manteve as participações inalteradas. Os dados referem-se ao período encerrado em 30 de junho e foram coletados pela SEC até a tarde de sexta-feira.
Cautela sem pânico: o que os números dizem
A margem estreita entre compradores e vendedores desenha um cenário de indecisão. "Quando compras e vendas estão tão próximas, isso sinaliza ausência de consenso", afirma Shaia Hosseinzadeh, fundador da OnyxPoint Global Management. Segundo ele, não há disputa sobre o volume de gastos realizados pelo setor, mas sim discordância quanto a quais empresas capturarão os lucros reais.
Steve Sosnick, estrategista da Interactive Brokers, sugere que os cortes refletem limites internos de risco. "Algumas dessas grandes firmas podem já estar tão expostas quanto querem ou podem, considerando seus parâmetros de risco ou políticas de investimento", explica. Essa lógica justificaria quedas recentes em ações de empresas com bons resultados trimestrais: os detentores maiores, que costumam comprar em boas notícias, simplesmente não tinham espaço para agregar mais posições.

Semicondutores: um setor à parte
Em meio à cautera geral, o segmento de semicondutores preservou um viés otimista. Dos fundos que já protocolaram os documentos, 48% atuaram como compradores líquidos, contra 34,5% de vendedores líquidos. A proporção positiva, ainda assim apertada, contrasta com o software: entre 20 grandes empresas do setor, incluindo Adobe e Datadog, 28,2% dos investidores venderam, enquanto 26,3% compraram.
No movimento individual, o hedge fund Tiger Global Management diluiu posições em várias empresas das Magnificent Seven, destacando Microsoft, Nvidia e Meta. A exposição à Alphabet caiu 45,4%, ficando em 5,8 milhões de ações. O fundo também reduziu suas participações na Taiwan Semiconductor, movimento repetido pelo fundo So.
O que ainda não foi divulgado
Os investidores institucionais não precisam justificar as alterações em seus portfólios nos arquivos 13F. A análise da Reuters considera apenas os registros disponíveis até o início da tarde de sexta-feira; ajustes podem ocorrer conforme novos documentos forem submetidos à SEC. O impacto preciso dessas reduções nos preços das ações durante o terceiro trimestre permanece indeterminado com base exclusivamente nas informações divulgadas até agora.


