O mercado de imóveis de luxo na região da Baía de São Francisco está aquecendo, impulsionado por funcionários de empresas de inteligência artificial que compram casas de milhões de dólares à vista, ignorando juros altos e preços elevados. Segundo dados da corretora Redfin, publicados pela Associated Press, as vendas de imóveis de alto padrão na área metropolitana de São Francisco saltaram 39,3% no primeiro semestre de 2026, contra o mesmo período de 2025 — enquanto o mercado imobiliário americano como um todo continua estagnado no pior nível em 30 anos.
Compradores blindados contra juros
Funcionários de empresas como OpenAI, Anthropic e outras da bolha da IA estão por baixo desse fenômeno. "Essas pessoas têm muito dinheiro e simplesmente não se importam com taxas de hipoteca ou preços", disse Daryl Fairweather, economista-chefe da Redfin, em declaração à Associated Press.
Esses compradores pagam à vista ou usam ganhos da bolsa — o índice S&P 500 subiu forte em 2026 e está perto de seu recorde histórico — para dar entradas altas, o que os salva da alta dos juros nos EUA.
Onde o mercado de luxo mais cresce
A febre não se limita ao Vale do Silício. Em Oakland, do outro lado da baía, as vendas de imóveis de alto padrão subiram 13,3%, contra 3,9% das de preço médio. Em Tampa, na Flórida, o luxo subiu 35,5%, enquanto os médios desceram 5,1%. Nashville registrou 10,8% de alta no alto padrão, contra 1,7% nos intermediários. Detroit viu o luxo subir 8,7%, enquanto o médio encolheu 6%.

No país, as vendas de luxo (os 5% mais caros de cada região) subiram 2% no primeiro semestre, contra 1,9% dos médios. A diferença está nos preços: o preço mediano de um imóvel de luxo nacional foi de US$ 1,37 milhões, subindo 4,3%, enquanto o médio subiu 1,4%, para US$ 377.245.
Mercado americano em dois níveis
O fenômeno mostra uma divisão econômica na forma de K: enquanto compradores de alta renda progredem, o resto do mercado fica travado. As vendas de imóveis usados nos EUA ficaram quase inalteradas em 2025, no pior nível em três décadas, e voltaram a cair em julho de 2026, segundo a Associated Press. As vendas de imóveis novos, que representam uma parcela menor do mercado, também caíram este ano.
Ainda não há dados sobre se o fenômeno pode se espalhar para outros mercados ou por quanto tempo o impulso da IA sustentará a demanda por imóveis de luxo. O mercado de médio e baixo padrão espera alívio nos juros ou novas políticas habitacionais para destravar as vendas.


