O Frankfurter Allgemeine Zeitung publicou uma análise sobre como a inteligência artificial e métodos estatísticos estão mudando a forma de atribuir autoria na literatura. Ele parte das reflexões de Erik Schilling sobre o 'fim do autor' na era das máquinas. O artigo aponta que as Humanidades Digitais, ao usar computação em grandes bases de dados, voltaram a debater a autoria — exatamente quando muitos a consideravam morta teóricamente.
Estilometria e a correção de juízos históricos
De acordo com a publicação, um dos campos onde a abordagem computacional dá respostas concretas a perguntas clássicas é a atribuição de autoria. O método chamado 'Burrow's Delta' mede distâncias entre textos usando características estilísticas — frequência de palavras, padrões sintáticos — e ajuda a confirmar ou refutar autorias. O artigo cita Rudolf von Ems, poeta medieval do século XIII. Por quase dois séculos, a crítica literária, desde Georg Gottfried Gervinus (1835-1842), disse que ele se inspirara muito em Gottfried von Straßburg. A estilometria computacional, no entanto, pode revisar essa relação, mostrando que as similaridades são menores do que se pensava.
O papel da IA na ampliação dos dados
O Frankfurter Allgemeine Zeitung destaca que conjuntos de dados maiores são essenciais para medir as semelhanças estilísticas com precisão. A IA, ao processar volumes que um pesquisador humano nunca chegaria a manipular, não só atribui autorias, mas também rastreia influências e correntes literárias por meio de métricas objetivas. Mas o artigo alerta: a abordagem quantitativa não substitui a qualitativa. Franco Moretti, pioneiro desse método, reconheceu em 2022 que a revolução digital pode ser uma nova disciplina com perguntas próprias, não apenas uma ferramenta da crítica antiga.
O que ainda não foi divulgado
- A publicação não fala quais conjuntos de dados foram usados ou a precisão dos resultados do Burrow's Delta nos exemplos.
- Também não detalha se a técnica já foi aplicada a autores brasileiros ou literatura em português.


