Segundo o The Economic Times e o BNN Bloomberg, altos rendimentos de funcionários de empresas de IA estão comprando casas multimilionárias na área de São Francisco, impulsionando um aumento de 39,3% nas vendas de residências de luxo no primeiro semestre deste ano, apesar dos juros mais altos e dos preços em alta.
Luxo segura enquanto mercado amplo vacila
Nas vendas de residências de luxo — definidas como aquelas no top 5% de preço em cada área metropolitana — houve alta de 2% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2025. Já as moradias de faixa média, próximas ao preço mediano, avançaram 1,9%. O preço mediano das casas de luxo entre janeiro e junho ficou em torno de US$ 1,37 milhão, alta de 4,3% sobre o ano anterior. Para as de alcance médio, a mediana chegou a US$ 377.245, com ganho de 1,4% no mesmo intervalo.
São Francisco e Oakland lideram disparidade
Na área de São Francisco, as vendas de residências de luxo subiram 39,3% no primeiro semestre em relação ao ano anterior. As de faixa média foram para 15,1%. Em Oakland, as casas de preço elevado cresceram 13,3% e as de faixa média avançaram 3,9%, conforme os mesmos veículos.
Compradores pagam à vista e ignoram juros
As compras são impulsionadas por altos rendimentos, muitos deles funcionários de empresas de inteligência artificial, que adquirem propriedades multimilionárias apesar dos juros mais altos e dos preços em alta. Podem pagar à vista ou fazer grandes entradas com recursos obtidos pela venda de ações ou outros investimentos, beneficiando-se dos ganhos no mercado de ações impulsionados pelo boom da IA. O índice S&P 500 está em alta sólida este ano e próximo de seu recorde recente, o que torna esses compradores menos sensíveis ao custo do crédito.

Mercado imobiliário enfrenta desaceleração geral
Enquanto o segmento de luxo mostra força, o mercado imobiliário dos EUA permanece preso em uma tendência de vários anos. As vendas de casas existentes estavam essencialmente estáveis no ano passado, perto do nível mais baixo em três décadas, e desaceleraram novamente em julho. A construção de novas casas também retraiu neste ano. Esse contraste entre o mercado de luxo resiliente e o fraco mercado global destaca a crescente divisão na acessibilidade à propriedade.
Economia K‑shaped se estende ao imóvel
Analistas descrevem o padrão como uma versão do mercado imobiliário da economia K‑shaped, em que os lares mais ricos se afastam dos grupos de renda média e baixa. Nesse cenário, muitos compradores em potencial permanecem à margem enquanto os indivíduos abastados impulsionam a demanda por residências de alto padrão, reforçando as disparidades socioeconômicas no acesso à casa própria. O The Economic Times e o BNN Bloomberg citam Daryl Fairweather, economista-chefe da Redfin, que afirmou que “essas pessoas têm muito dinheiro e elas não vão ser muito sensíveis a taxas de juros ou preços de imóveis” e que “eles querem a casa que desejam e têm os meios para adquiri‑la”.
Outras cidades também sentem calor do luxury
Outras áreas metropolitanas não diretamente ligadas ao boom da IA também estão apresentando movimento ascendente nas vendas e nos preços de residências de luxo, embora o ritmo varia. O The Economic Times e o BNN Bloomberg mencionam exemplos como San Diego, Miami, Detroit, Nashville e Tampa, Flórida, onde as propriedades de alto padrão estão sendo vendidas a um ritmo mais rápido que as de menor valor. Essa tendência mais ampla reforça a ideia de que o efeito de riqueza ligado à IA está contribuindo para uma mudança nacional em direção a transações de maior valor, mesmo fora da Baía de São Francisco.


