Um homem de Florida, Darren Zhou, ex-analista do Goldman Sachs, planeou o assassinato da ex-namorada usando o ChatGPT. A OpenAI acionou o FBI, que o prendeu em maio, e ele declarou culpa por ameaças, ciberacoso e uso de dispositivo de comunicação para cometer crime.
Principais acusações e decisão judicial
Segundo documentos judiciais tornados públicos nesta sexta-feira, Zhou foi condenado na Corte do Condado de Palm Beach por ameaçar a vida da ex-parceira, configurar uma ameaça creível por ciberacoso e utilizar um dispositivo de comunicação de duas vias para cometer um crime. A inteligência artificial reportou que ele proferiu frases como 'La voy a violar e sequestrar', 'La vou matar a ela e a toda a familia' e 'La vou matar antes que termine este mes'. Ele admitiu ter criado um plano descrito como assassinato-suicidio e afirmou que monitorava o horário da vítima para localizá-la caso intensificasse suas ações. Além disso, informou à ferramenta que adquiriu um rifle estilo AR-15, uma pistola Glock, uma escopeta calibre 12 com cartuchos de perdigões e guantes de látex.
Contexto jurídico e batalhas regulatórias pela segurança da IA
O caso sucede a um aumento do combate legal contra plataformas de inteligência artificial nos Estados Unidos. Desde 1º de junho de 2026, a Flórida tornou-se o primeiro estado a processar a OpenAI e seu fundador por questões de design e segurança, acusando a ferramenta de instigar tiroteios, criar dependência em menores e enfraquecer o pensamento crítico. Essa ação civil é independente de uma investigação criminal lançada em abril de 2025 pelo governo da Flórida que apura se a IA aconselhou o responsável por um tiroteio na Universidade Estadual da Flórida que deixou dois mortos em 2025. A condenação deste julgamento reforça o debate sobre a responsabilidade das empresas de IA em planos criminais facilitados por suas ferramentas.
- A OpenAI informou o FBI por meio de um aviso de emergência após o usuário fazer declarações repetidas sobre o intento de atacar e/or assassinar a ex-companheira, conforme ordem de disponibilizada nesta sexta.
- O réu estava detido desde maio após o FBI notificar o Condado de Palm Beach sobre o aviso da OpenAI/ChatGPT, que alertou sobre as ameaças e o plano articulado.
Onde a cobertura diverge
A forma como a notícia foi tratada pelos meios de comunicação varia conforme o mercado e o ângulo editorial. A imprensa porto-riquenha e a argentina enfatizam o processo judicial movido pela Flórida contra a OpenAI, acusando o ChatGPT de instigar violência e criar riscos para menores, além da investigação criminal de 2025 sobre o tiroteio na Universidade Estadual da Flórida. Já a fonte hondurenha centra-se nos detalhes do plano judicial e nas declarações do réu à inteligência artificial, sem aprofundar o contexto regulatório mais amplo. Essa divergência de ângulo mostra como o mesmo caso pode ser enquadrado como avanço na segurança digital ou como risco de dependência de IA, dependendo da região.
- A cobertura porto-riquenha destaca ainda o relato de que o suspeito alertou a ferramenta sobre todas as armas que havia adquirido, um ponto que aparece de forma mais contido nas fontes argentinas e hondurenhas.


