O Google promoveu uma reestruturação na liderança de sua divisão de IA, o Google DeepMind, com a saída de Demis Hassabis da chefia direta e a ascensão de Koray Kavukcuoglu ao comando. A mudança, anunciada em 5 de agosto, ocorre após pressão do cofundador Sergey Brin para acelerar o desenvolvimento do modelo Gemini, que perdeu terreno para rivais como Anthropic e OpenAI.
Segundo a Reuters, Brin participou de um town hall em abril com centenas de funcionários do DeepMind, pedindo mais velocidade. O modelo Gemini havia ultrapassado concorrentes em novembro, mas novas versões de Anthropic e OpenAI o deixaram em posição de recuperação. O lançamento da nova versão principal do Gemini foi adiado em dois meses, pois testes internos mostraram desempenho inferior em áreas como codificação.
Mudanças na liderança e na estrutura
Na nova configuração, Hassabis tornou-se chairman, com menos obrigações de gestão. Kavukcuoglu, que era vice-presidente e arquiteto-chefe de IA do Google desde 2025, assume como chefe da DeepMind. A Reuters apurou que, nos últimos meses, a influência de Hassabis diminuiu enquanto Kavukcuoglu ganhou centralidade na definição do rumo do Gemini, com apoio de Brin.
Além disso, os dois líderes técnicos originais do Gemini deixaram a empresa para fundar uma startup. A reestruturação também incluiu a transferência de algumas equipes do DeepMind para o Google corporativo, revelada em uma reunião geral em 6 de agosto. O anúncio fez as ações do Google caírem 4% no mesmo dia.

O contexto da reorganização
Entrevistados pela Reuters, sete pessoas com conhecimento do desenvolvimento do Gemini afirmam que a reestruturação e a estratégia de comercialização da Alphabet estão ligadas à busca por superioridade em modelos de IA. A mudança marca mais um passo na erosão da autonomia do DeepMind, que o Google vem reduzindo desde a compra do laboratório londrino em 2014, na tentativa de integrar a IA a mais produtos e gerar mais receita.
Sob Hassabis, o laboratório mantinha uma ampla gama de projetos de pesquisa, mas reportagens anteriores da Reuters indicaram que ele resistiu a iniciativas que trariam novas receitas para a Alphabet. A empresa não comentou as perguntas da Reuters sobre o recente envolvimento de Brin, as mudanças estruturais e as preocupações dos funcionários.


