O cofundador do Google, Sergey Brin, tem pressionado equipes de inteligência artificial para concentrar esforços no modelo Gemini, visando reduzir a vantagem de concorrentes no setor. A estratégia, relatada pela Reuters, ocorre em um momento em que a Alphabet reestrutura sua divisão Google DeepMind para acelerar a entrega de produtos e a integração comercial da tecnologia.
Mudanças estruturais e foco comercial
A reorganização, anunciada oficialmente em 5 de agosto, marca uma mudança no comando da divisão. Demis Hassabis deixou a chefia direta da DeepMind, assumindo o posto de presidente, enquanto seu vice, Koray Kavukcuoglu, assumiu o gerenciamento das operações. Segundo fontes próximas ao assunto, o movimento reflete uma diminuição na autonomia do laboratório, processo que o Google conduz desde a aquisição da unidade em 2014, com o objetivo de priorizar a aplicação prática da IA em softwares e o aumento da receita.
A pressão interna por resultados mais rápidos se intensificou após testes demonstrarem que a nova versão principal do Gemini apresentou desempenho inferior ao de rivais em tarefas complexas, como codificação, resultando em um atraso de dois meses no cronograma de lançamento. Além disso, foi comunicada aos funcionários, em uma reunião interna no dia 6 de agosto, a transferência de algumas equipes da estrutura da DeepMind diretamente para o Google corporativo.
Integração sob a liderança de Kavukcuoglu
Desde 2025, após a nomeação de Kavukcuoglu como arquiteto-chefe de IA do Google pelo CEO Sundar Pichai, a influência de lideranças tradicionais da DeepMind foi progressivamente reduzida. O plano de embedded de IA em produtos da companhia conta com o respaldo direto de Brin. Apesar de a gestão de Hassabis ter sido marcada por um amplo leque de pesquisas científicas, a nova direção busca alinhar as operações de forma mais rigorosa aos interesses comerciais imediatos da Alphabet.
O que ainda não foi divulgado
- Os detalhes técnicos específicos que levaram à decisão de adiar a nova versão do Gemini.
- A estrutura final de reporting das equipes que foram transferidas da DeepMind para o Google corporativo.
- O posicionamento oficial da companhia sobre as preocupações internas da equipe quanto ao futuro da autonomia da unidade de pesquisa após a queda de 4% nas ações no dia do anúncio da reestruturação.


