A Flock Safety, uma das maiores fornecedoras de leitores automáticos de placas de veículos dos Estados Unidos, anunciou mudanças na plataforma para responder às crescentes críticas de legisladores, defensores de liberdades civis e cidadãos, além de casos documentados de abuso por policiais. As alterações, divulgadas na quinta-feira, incluem a obrigatoriedade de auditoria interna, a redução do prazo de retenção de dados e a exigência de vinculação de cada busca a um caso específico.
Segundo a agência Associated Press, que repercutiu a notícia em veículos como a BNN Bloomberg, a empresa quer conter a indignação pública após uma série de situações em que agentes de segurança usaram a tecnologia para fins pessoais ou vigilância não autorizada. A Flock, com sede em Richmond, Virgínia, opera câmeras que registram placas e características de veículos que passam por suas lentes, e milhares de agências policiais contratam seus serviços para buscar e compartilhar dados entre jurisdições.
Mudanças obrigatórias a partir de janeiro
O CEO Garrett Langley afirmou que muitas das novidades transformarão em obrigatórias — a partir de 1º de janeiro — as salvaguardas que antes eram opcionais para os clientes. Entre as principais medidas:
- Todos os usuários terão que implementar uma ferramenta de auditoria que sinaliza comportamentos de busca anormais, com bloqueio automático do usuário até revisão interna.
- A retenção padrão de dados cai de 30 dias para sete, com possibilidade de preservação maior quando os dados forem evidência vinculada a um número de caso.
- Os usuários terão que inserir um código do sistema de gestão de registros vinculando cada busca a um caso específico, antes de executá-la.
- Cada cliente poderá definir quais tipos de crime (como homicídio ou incêndio criminoso) agências externas podem usar para buscar seus dados, bloqueando, por exemplo, buscas relacionadas a imigração.
Langley destacou que a vinculação a casos e a possibilidade de bloqueio de buscas externas por tipo de crime atendem a pedidos antigos de defensores da privacidade. A empresa afirma que os clientes são donos dos dados coletados pelas câmeras.

Abusos e reação de cidades
A empresa enfrenta um movimento de cidades e agências que encerraram contratos com a Flock, motivados por receios de que os dados fossem usados para aplicação de leis de imigração ou vigilância não autorizada, e por exemplos recentes de policiais que utilizaram a tecnologia para buscas pessoais. A Flock, por outro lado, é creditada por algumas forças policiais como ferramenta importante no combate ao crime, ajudando a localizar desaparecidos e a rastrear suspeitos de crimes violentos.
O que ainda não foi divulgado
Não foram detalhados publicamente os mecanismos específicos da ferramenta de auditoria, nem o processo de revisão interna em caso de bloqueio. Também não foi informado quantas cidades ou agências já cancelaram contratos, nem o impacto financeiro estimado das mudanças.


