O governo do presidente Donald Trump está pressionando a Apple a evitar o uso de chips de memória fabricados por empresas chinesas. Howard Lutnick, secretário de Comércio dos EUA, disse ao Wall Street Journal que a administração não apoia o uso de memória chinesa por grandes corporações americanas. A declaração acontece em meio à alta nos preços desses componentes, impulsionada pela demanda por inteligência artificial e que eleva os custos para os smartphones da Apple.
A Apple considera recorrer à ChangXin Memory Technologies (CXMT), produtora de DRAM, e à Yangtze Memory Technologies (YMTC), fabricante de NAND flash, como alternativa aos fornecedores atuais Samsung, SK hynix e Micron, segundo o Seoul Economic Daily. Analistas veem a medida como uma forma de barganha para forçar os fabricantes tradicionais a reduzirem preços. O uso dessas peças chinesas, contudo, teria destino inicial apenas para produtos vendidos na China, devido a preocupações com a qualidade no mercado global.
Objeção política
O The Next Web destaca que a objeção de Lutnick é mais política do que legal. A YMTC está na lista de entidades do Departamento de Comércio, mas a CXMT não. Ambas foram listadas pelo Pentágono como empresas militares chinesas, mas essa designação não proíbe compras comerciais. A exigência regulatória atual é que as empresas americanas obtenham licença para compartilhar informações técnicas com essas companhias — algo necessário para fabricar componentes personalizados. A Apple pode comprar chips de prateleira sem compartilhar dados, tornando a trava de exportação inaplicável. Sabih Khan, diretor de operações da Apple, disse ao Wall Street Journal que “não há muita customização” na memória dos iPhones, indicando que a compra de chips padrão não exigiria aprovação do governo.
O prazo do Senado
Os senadores Jim Banks e Chuck Schumer lideraram uma carta bipartidária a Tim Cook no final de julho, pedindo que a Apple se comprometesse até 21 de agosto a não usar os componentes chineses, segundo reportagem anterior do The Next Web. Os senadores argumentaram sobre a dependência de suprimentos de empresas classificadas como militares chinesas. A Micron, maior fabricante americana de chips de memória e terceira do mundo, pressiona a administração contra a compra de memória chinesa, alegando que isso prejudicaria a produção doméstica. A empresa investiu cerca de US$ 250 bilhões em fábricas em Nova York, Idaho e Virgínia.
O que ainda foi divulgado
- A Apple não confirmou se está testando chips da CXMT ou YMTC, mas Sabih Khan afirmou que “temos que considerar todas as opções” diante da escassez.
- Não há nova regra ou sanção iminente que impeça a compra, segundo as fontes consultadas.


