Os Estados Unidos têm potencial para dobrar e triplicar a capacidade anual de novos data centers, saltando dos atuais 12 gigawatts (GW) projetados para 2026 para 35 GW em 2030, caso não haja estrangulamento no mercado de trabalho. O alerta vem de analistas da Bernstein, divulgado pela plataforma Investing.com: o principal obstáculo não é financeiro, mas a falta crônica de técnicos especializados em mecânica, elétrica e hidráulica (MEP). A projeção otimista considera que as contratações se mantenham nas taxas recorde dos últimos três anos.
O teto realista
O cenário de 35 GW atende ao consenso do mercado, que já previa um intervalo entre 25 GW e 35 GW. Se a economia desacelerar e os índices de contratação caírem para uma média histórica mais conservadora, o país travaria na marca de apenas 25 GW adicionais por ano. Isso significa deixar de lado cerca de dez gigawatts anuais de infraestrutura crítica para a inteligência artificial.
Risco industrial e sobrecarga
Há um descompasso perigoso entre a demanda prevista e a oferta de equipamentos. A Bernstein calcula que 40 GW seriam necessários para justificar plenamente a capacidade fabril já anunciada para geradores de energia de médio porte. Nesse cálculo, fabricantes como Caterpillar (NYSE:CAT) e Cummins (NYSE:CMI) ficam expostos ao risco de excesso de produção e estoques parados.
A matemática do gargalo
Não basta ter número. Um projeto de 100 megawatts exige cerca de 90 trabalhadores MEP em canteiro de obras. Embora existam 1,8 milhão desses profissionais nos EUA, a realidade é distinta: aproximadamente 790 mil atuam apenas na construção não residencial, e muitos carecem das habilidades técnicas específicas que esses centros exigem. Geograficamente, o problema se agrava: 30% dos trabalhadores moram em regiões responsáveis por apenas 30% da demanda futura, enquanto 70% dos novos projetos devem surgir onde há escassez desse perfil.

A competição pelo pessoal já pressionou a participação desses ofícios na força de trabalho americana ao maior patamar em duas décadas, mesmo com a desaceleração nas novas admissões desde o pico de 2023.
Soluções via indústria
Para contornar a limitação física da mão de obra, a Bernstein indica a migração para a construção modular. Transferir operações dos canteiros de obras para dentro de fábricas reduziria a dependência direta de talentos locais. Esse modelo favorece empresas verticais e integradas, citadas pelos analistas como Eaton (NYSE:ETN), Schneider Electric (EPA:SU), Vertiv (NYSE:VRT), Quanta Services (NYSE:PWR), Comfort Systems USA (NYSE:FIX) e EMCOR (NYSE:EME). A implementação, contudo, ainda depende de ajustes logísticos e da aprovação definitiva dos operadores dos data centers.


