Os Estados Unidos e a China aceleram a formação de blocos de influência para garantir a hegemonia global na inteligência artificial (IA). Conforme O Globo, o avanço tecnológico chinês, marcado pelo lançamento de quatro modelos de alto desempenho, desafia o domínio norte-americano e força países como Brasil e Índia a escolherem entre modelos de cooperação distintos.
A competitividade dos modelos chineses
Segundo O Globo, os sistemas chineses GLM 5.2, Kimi K3 e Qwen 3.8 Max já atingem níveis de performance comparáveis ou superiores aos modelos americanos GPT 5.6 Sol, da OpenAI, e Fable 5, da Anthropic. A China também utiliza a agressividade comercial como ferramenta de expansão. O modelo DeepSeek V4 Flash opera com um custo de US$ 0,17 por 1 milhão de tokens, valor significativamente inferior aos US$ 18 cobrados pelo concorrente Fable 5.
Estratégias de mercado e exclusividade
A abordagem dos EUA foca na venda casada de infraestrutura e software, sistema conhecido como full stack. O Globo apurou que essa estratégia integra chips, serviços de nuvem e modelos fechados, protegidos por direitos de uso restritos. Ao jornal, o professor do Insper, Gustavo Macedo, explicou que os contratos americanos buscam exclusividade de longo prazo e fornecimento contínuo de manutenção. Embora ofereça segurança e acesso a tecnologia de ponta, o modelo é criticado pela falta de transferência de conhecimento técnico.
Impacto geopolítico e governança
A criação de um novo órgão de governança global para IA pela China sinaliza uma disputa por normas e padrões internacionais. O Globo relata que o cenário atual remete às tensões da Guerra Fria, com as duas potências tentando atrair mercados que hoje não possuem protagonismo no setor, como Europa e Japão. Alcides Peron, professor da Unicamp, afirmou ao veículo que a cooperação americana raramente envolve o espalhamento de centros de pesquisa, focando apenas na instalação de data centers, o que limita o desenvolvimento tecnológico local dos parceiros.


