Estudantes australianos estão mirando na agricultura como alternativa de carreira diante do impacto da inteligência artificial sobre empregos de entrada, segundo o WAtoday e o Brisbane Times.
O setor, avaliado em US$101 bilhões, oferece seis vagas para cada formado, o que tem atraído jovens como Annalise Magill, de 19 anos, que trabalha como júnior economista agrícola na consultoria AgEcon enquanto cursa ciências agrícolas na Universidade de Sydney.
Motivações e dados do setor
Annalise Magill contou que, antes da faculdade, havia ido a uma fazenda apenas em feriados e se considerava uma 'criança da cidade' sem experiência real no campo. Ela disse que a agricultura lhe permite estar ao ar livre, fazendo algo concreto, ao contrário de ficar em um escritório digitando o dia todo.
Segundo o WAtoday e o Brisbane Times, ela observa que a IA está eliminando cargos de entrada e remodelando o início de carreira, mas acredita que o setor agrícola não será substituído pela tecnologia, pois a IA pode gerar mapas de monitoramento de pastagens, porém não vai sentar no trator. Essa perspectiva reduz sua ansiedade sobre o futuro profissional. Ainda segundo as mesmas fontes, o Instituto da Fazenda Australiana indica que há seis vagas para cada formado em agricultura, enquanto o trabalho remoto e a crescente profissionalização do setor, impulsionados pela internet, têm aumentado seu atrativo. Além disso, o fim da seca do Milênio e o maior entendimento das cadeias de suprimentos, decorrente das compras em pânico durante a pandemia, ajudaram a melhorar a imagem do agronegócio nos últimos quarenta anos, conforme apontou um artigo de 2021 publicado no International Journal of Innovation in Science and Mathematics Education.

Visão do setor e o papel da IA
Sharon Starick, produtora de grãos e suínos da Austrália do Sul e presidente do Conselho de Corporações de Pesquisa e Desenvolvimento Rural, concorda com a visão de Magill. Ela afirmou que, entre os vinte estudantes domésticos de sua turma, dez vêm de áreas urbanas, mostrando o interesse crescente de jovens das cidades.
Andrew Quilty Starick, que cresceu em uma propriedade vitivinícola de Barossa e estudou ciências agrícolas nos anos 1990, lembrou que, na época, a área era vista como sem perspectiva e pouco empolgante devido à seca e aos baixos preços das commodities. Hoje, segundo ele, novas tecnologias e inovações estão gerando empregos altamente qualificados e técnicos ao longo da cadeia de valor, desde a produção até a logística e o processamento.
O setor oferece uma ampla gama de funções: trabalho direto na fazenda, comunicação, gestão, finanças, política, tecnologia e pesquisa. Starick ressaltou que é necessária diversidade de origens, idades, gêneros e culturas para trazer diferentes perspectivas diante dos grandes desafios do abastecimento mundial. Embora a IA possa automatizar tarefas repetitivas, muitas atividades na produção de alimentos e fibras dependem de julgamento, criatividade, resolução de problemas e compreensão das necessidades dos produtores; portanto, a tecnologia será uma ferramenta útil, não um substituto.


