O médico e escritor Drauzio Varella afirmou que o mundo enfrenta uma 'epidemia de estupidez', em referência à rejeição a máscaras e vacinas durante a pandemia de covid-19. A declaração foi feita durante o evento BBC World Service: Trust is Earned, nesta sexta-feira (14), em São Paulo.
Varella, que há cerca de uma década vê sua imagem e voz usadas em propagandas falsas, brincou que deve ser 'o maior vendedor de remédios falsos do Brasil, talvez da América Latina'. Mas a declaração séria veio ao comparar a reação à covid com a epidemia de Aids nos anos 1980, quando boatos chamavam a doença de 'peste gay'.
Ignorância versus estupidez
Durante a entrevista conduzida pelo jornalista João Fellet, Varella diferenciou os dois conceitos: 'Ignorância é uma coisa, estupidez é outra. Eu sou ignorante em muitas coisas. O ignorante aprende quando é ensinado; o estúpido não, porque o estúpido acha que sabe.'
O médico afirmou que a pandemia foi uma grande surpresa: 'Nós imaginávamos que já tínhamos passado de certos pontos.' A decepção, segundo ele, veio da constatação de que o conhecimento científico não impediu a disseminação de desinformação e a adoção de comportamentos prejudiciais.

Desinformação de longa data
Varella lembrou que profissionais de saúde lidam com falsificações desde a crise da Aids, quando a imprensa e setores da sociedade propagaram a ideia equivocada de que a doença só atingia homossexuais. 'Não é possível uma coisa dessas', disse, destacando as implicações epidemiológicas de uma afirmação preconceituosa. 'Se é peste gay, as mulheres estavam protegidas? Os homens heterossexuais também? Toda doença sexualmente transmissível, por definição, é sexualmente transmissível', argumentou.
O evento gratuito promovido pela BBC reuniu jornalistas e especialistas para discutir os desafios do combate à desinformação no Brasil. Varella participou como convidado e aproveitou para reforçar a importância da educação científica e da verificação de fontes.
O que ainda não foi divulgado
Não foram informados detalhes sobre as ações legais que o médico eventualmente tenha tomado contra o uso não autorizado de sua imagem, nem dados estatísticos sobre o alcance das desinformações que o envolvem.


