Segundo o The Athletic, a DraftKings emprega ciência de dados para identificar quais clientes têm maior probabilidade de perder quando recebem incentivos de apostas. O Estadão de S. Paulo complementa que a empresa desenvolveu um modelo de aprendizado de máquina em 2023 para responder exatamente essa questão: quem tem mais tendência a apostar e perder mais após receber bônus ou apostas grátis.
Como o modelo foi construído e testado
De acordo com o Estadão, Jayden Butts, que havia entrado na DraftKings como analista de dados cerca de um ano antes, recebeu a missão de testar o modelo. Ele analisou hábitos dos clientes, como frequência de jogos, saldo diário da conta e a proporção entre perdas e valores apostados, atribuindo uma pontuação que indica quanto dinheiro aquele apostador tenderia a perder a cada promoção oferecida. Butts também questionou se muitas dessas pessoas identificadas pelo modelo seriam vulneráveis ao vício em jogos.
Incentivos promocionais e o volume de gastos
O Estadão destaca que a DraftKings gasta centenas de milhões de dólares por ano em incentivos promocionais – dinheiro ‘grátis’ para apostar, distribuído por e‑mail e alertas no celular. Antes da criação do modelo, a empresa tinha pouca visão sobre a efetividade desses gastos. Após os testes de Butts, a companhia passou a priorizar a distribuição desses benefícios para os clientes com maior pontuação de propensão à perda, segundo seis ex‑funcionários ouvidos pela reportagem.
Resistência em usar a mesma tecnologia para proteção
O The Athletic aponta que, apesar de usar a IA para maximizar perdas dos clientes, a DraftKings resistiu em aplicar tecnologia semelhante para identificar apostadores em risco de vício. Além disso, quatro ex‑funcionários afirmaram à reportagem que projetos destinados a prevenir problemas de jogo foram atrasados ou enterrados, enquanto a equipe de ciência de dados seguia refinando o modelo de direcionamento de perdas.

Detalhes do modelo e o contexto dos dados
Segundo a investigação do New York Times citada pelo Estadão, o modelo analisa dezenas de pontos de dados de cada apostador, incluindo a frequência de jogo, o saldo diário da conta e quanto o cliente costuma perder em relação ao que aposta. Ele também incorpora um segundo modelo que estima a probabilidade de o usuário parar de apostar. As mesmas informações podem conter sinais de encaminhamento para um problema de jogo, embora a empresa não tenha utilizado esse potencial para proteção, conforme relatado por ex‑funcionários.
Impacto e discussão ética
O Estadão reproduz a fala de Butts ao dizer que a empresa procura traços e características que indiquem um bom investimento e, pela lógica estritamente financeira, o melhor investimento seria um apostador compulsivo. Ele também ressaltou que tinha motivos para se preocupar, pois a DraftKings ganha dinheiro quando os apostadores perdem, e o modelo buscava identificar aqueles que a empresa poderia levar a perder mais.


