O déficit comercial de bens dos Estados Unidos ampliou-se 2,1%, ou US$ 2,8 bilhões, para US$ 134,9 bilhões em setembro, um nível não visto desde março de 2025, enquanto as importações chegam a um recorde de US$ 344,1 bilhões, movidas pela forte demanda por equipamentos para infraestrutura de inteligência artificial.
Segundo a Reuters, citada pela publicação Mint, o aumento superou a previsão de economistas, que aguardavam um déficit de US$ 130,2 bilhões. As importações subiram US$ 8,1 bilhões, com alta de 7,5% nas importações de bens de capital, categoria que inclui os equipamentos para data centers de IA. A publicação Analytics Insight complementa que os exportadores norte-americanos não conseguiram acompanhar o ritmo, com exportações avançando US$ 5,3 bilhões para US$ 209,2 bilhões.Importações de bens de capital lideram alta
As importações de bens de capital, principalmente máquinas, hardware e equipamentos para data centers, registraram alta de 77,2% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Census Bureau, conforme reportado pela Mint. Stephen Stanley, economista-chefe do Santander US Capital Markets, disse à Reuters que o hardware necessário às empresas de tecnologia vem do exterior, ampliando significativamente o déficit. Além do setor de IA, o consumo persistente, mesmo com custos elevados, também contribuiu para a alta das importações, com bens de consumo subindo 3,1% e outras categorias 6,7%.Impacto sobre a renda nacional
Economistas avaliam que o comércio pode ter reduzido o PIB dos EUA em até quatro pontos percentuais no terceiro trimestre, segundo a Mint. Especialistas da Oxford Economics calculam o impacto em 3,25 pontos percentuais. O comércio tem pesado negativamente por três trimestres consecutivos, apontam as fontes. Mesmo assim, o PIB do terceiro trimestre, cujo resultado preliminar será divulgado na quinta-feira, deve seguir forte, pressionado por investimentos em IA e consumo resiliente. Daniel Vielhaber, economista da Nationwide, disse à Reuters que, embora o comércio puxe o PIB para baixo, isso é um sinal de força, pois reflete a continuidade do investimento empresarial e do consumo.Onde a cobertura converge e diverge
Ambas as publicações, com base na cobertura da Reuters, destacam o mesmo núcleo de fatos: déficit ampliado, importações recorde e pressão sobre o PIB. A diferença está no foco. A Mint enfatiza os números exatos do impacto no PIB e traz declarações de economistas, além de dados de estoques, com estoques no atacado subindo 0,6% e no varejo 0,3% em setembro. A Analytics Insight dedica mais espaço à tensão estratégica: o investimento em IA representa uma oportunidade, mas o fato de os equipamentos serem importados reduz a contribuição do comércio líquido ao PIB, já que importações são descontadas do cálculo.O que ainda não foi divulgado
- Não foi informado de onde vêm as importações de bens de capital para IA.
- Não há detalhamento sobre quais empresas norte-americanas lideram as importações.
- A relação entre o déficit ampliado e políticas comerciais recentes não foi abordada.
- Não consta o impacto setorial sobre outras categorias de bens além das mencionadas.


