A Changxin Memory Technologies (CXMT) assumiu o topo do ranking das empresas mais valiosas da China. Com capitalização de mercado avaliada em US$ 524 bilhões, a fabricante de semicondutores superou a Tencent Holdings, que recuou para US$ 510 bilhões na última quarta-feira (12). O movimento, segundo apuração divulgada pelo InfoMoney com base em dados da Bloomberg, sinaliza uma rotação clara dos investidores: eles abandonam as plataformas tradicionais de internet para apostar no hardware essencial à inteligência artificial.
O cenário não foi favorecido por sorte aleatória, mas por um aperto físico na oferta. A escassez de memória DRAM nos últimos meses criou uma urgência real nas cadeias produtivas. Fabricantes globais como Samsung, SK Hynix e Micron têm sua produção comprometida ou esgotada até 2027, obrigando clientes a buscarem fornecedores alternativos. Grandes nomes do setor de PCs, como HP, Asus e Acer, já integram os chips da CXMT em suas linhas, ainda que em volumes iniciais. Mais relevante: a Apple está testando a tecnologia nos seus dispositivos, conforme reportado pelo Nikkei.
Demanda física contra especulação digital
"CXMT ultrapassar a Tencent é uma mensagem do mercado — chips são os novos cliques", disse Gary Tan, gestor de portfólio da Allspring Global Investments, ao citar a mudança estrutural na precificação de ativos digitais versus físicos. A preferência por ativos ligados à IA agencial e infraestrutura de computação intensiva está drenando liquidez de gigantes estabelecidas. Enquanto a CXMT sobe, a Tencent acumula perda de 26% no ano. A companhia, dona do WeChat e da Riot Games, dobrou seus gastos com inteligência artificial no trimestre encerrado em junho para tentar competir, mas o prêmio do mercado agora pesa diferente.

A entrada da CXMT no radar global ganhou ritmo oficial quando a MSCI anunciou a inclusão da empresa no Índice MSCI China All Shares, válido a partir de 10 de agosto. Isso forçou fundos passivos a rebalancearem carteiras, amplificando a demanda. Na estreia em Xangai, no mês anterior, as ações dispararam 467%. Na quinta-feira (13), mesmo com queda de 1,2% intra-pregão, a avaliação permaneceu acima da concorrência direta em território continental.
Vazio de dados sobre lucros
O valor bursátil elevado contrasta com a opacidade financeira da empresa. Não há disponibilidade pública de detalhes sobre lucro líquido, receita operacional consolidada ou capacidade futura de expansão da planta fabril. A CXMT manteve-se silenciosa sobre a ultrapassagem específica. Atualmente, detém 7% do mercado global de DRAM, colocando-a na quarta posição mundial, atrás apenas dos gigantes sul-coreanos e americanos, focando inicialmente em proteger seu mercado doméstico para clientes estratégicos como a Huawei.


