A economia do Reino Unido expandiu 0,4% no segundo trimestre de 2026. O Office for National Statistics (ONS) atrela quase metade desse crescimento ao setor de informação e comunicação. Mais alto que qualquer outra indústria, o segmento reflete a aceleração global da inteligência artificial. A Reuters publicou os dados na quinta-feira.
Injeção maciça em hardware
O subsegmento de programação, consultoria e atividades correlatas — onde operam as empresas de IA — saltou 3,7% em três meses. Soma-se ao aumento de 3,8% registrado no trimestre anterior. O ritmo é consistente. Além disso, gastos com plantas e máquinas atingiram £22,1 bilhões (US$ 29,8 bilhões), valor próximo ao recorde histórico do início de 2022. O ONS atribui a leitura à compra de equipamentos de TIC, com destaque para hardware de computador, somada aos investimentos governamentais em sistemas de armas.
Andrew Wishart, economista sênior do Berenberg, vincula diretamente essa alta na tecnologia da informação à construção da capacidade computacional exigida por IAs. "Um salto significativo no investimento em infraestrutura sugere que as empresas estão expandindo seus servidores para rodar inteligência artificial", analisou Wishart.
Fabricantes locais colhem os frutos dessa demanda. A produção de computadores, eletrônicos e produtos ópticos cresceu 10,7% em base anual no segundo trimestre. É a primeira vez desde o início de 2017 que esse subsetor de manufatura lidera os demais treze segmentos avaliados.

Direcionamento de Burnham
Andy Burnham, primeiro-ministro desde julho, elevou a IA à prioridade máxima de nível ministerial. Sua administração afasta a abordagem centrada nos Estados Unidos adotada pelo governo anterior. O foco agora recai sobre a propriedade britânica, soberania tecnológica e blindagem dos trabalhadores contra rupturas no mercado.
Interpretações divergentes
A Bloomberg Businessweek rotulou o fenômeno como "chipflation", apontando a pressão da demanda por chips sobre a economia local. Já a publicação britânica DIGIT questiona se a IA seria o motor principal desse crescimento econômico recente. Ambas as análises bebem da mesma fonte: os números crus divulgados pelo ONS.


