Investigadores da BBC descobriram que anúncios pagos no Facebook espalham desinformação durante a eleição parlamentar na Sérvia. A análise identificou 56 páginas na rede social da Meta que publicaram ao menos 90 anúncios políticos entre meados de setembro e meados de outubro, contendo acusações sem comprovação contra opositores políticos e sem informar claramente quem financiou a propaganda, como exigem as políticas da empresa.
Anúncios em leu romeno ignoram proibição de recursos estrangeiros
Embora a lei sérvia proíba recursos estrangeiros em propaganda política, a BBC constatou que todos os anúncios investigados foram pagos em leu romeno, moeda do país vizinho. Até 16 de outubro, os gastos somavam ao menos 29.437 leu, o equivalente a cerca de R$ 30 mil. Segundo dados da Meta, pelo menos três anúncios foram financiados por uma empresa romena chamada Bmobile.
Regulação falha permite propaganda sem transparência
Em todos os casos, os anunciantes classificaram os anúncios incorretamente, evitando marcá-los como conteúdo político. Isso dificulta o rastreamento e a supervisão. A empresa removeu 47 anúncios ao longo do último mês, mas não todos os casos foram detectados. Partidos políticos precisam declarar gastos de campanha, mas páginas sem vínculo direto com partidos devem reportar à Agência Anticorrupção antes de gastar acima do limite legal em campanhas online — nenhuma comunicação desse tipo foi registrada.
Eleições na Sérvia e no Brasil sob observação da Meta
As eleições parlamentares na Sérvia ocorrem neste domingo (25/10), o mesmo dia do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, onde disputam Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A atuação da Meta também foi questionada na corrida eleitoral brasileira. O ministro do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que a Meta e o X prestem esclarecimentos sobre regras para uso de IA, distribuição de conteúdos políticos e remoção de publicações. Em 20 de outubro, o Comitê de Supervisão de Conteúdo da Meta manifestou preocupação com falhas recorrentes em padrões de transparência durante a eleição, destacando que a moderação pode ser excessivamente rígida ou insuficiente, comprometendo tanto a liberdade política quanto a integridade eleitoral.


