O ourives Hüseyin Altay, que opera em Eskişehir há 25 anos, garantiu ao jornal Hürriyet que a inteligência artificial jamais substituirá o ofício manual da ourivesaria frígia. A técnica ancestral, conhecida como 'Sivrihisar cebesi' — um trançado de ouro com até 1.600 anos — continua sendo executada inteiramente à mão e pode atingir o valor de 1 milhão de liras turcas (aproximadamente R$ 170 mil), variando conforme peso e modelo.
Herança frígia
Altay traça a origem da peça até o período frígio. O nome remete à cidade de Sivrihisar, na Anatólia Central. Segundo o artesão, o desenho do trançado evoca a armadura usada por soldados da Antiguidade, formato que foi gradualmente adaptado para a joalheria contemporânea. A peça mais antiga que ele já examinou tem cerca de 300 anos.
Fios e tradição
A manufatura exige entre três e quatro dias por adorno. O processo inicia com o derretimento das barras de ouro para formar fios finos. Seguem-se as etapas de trançado, lavagem, penteado, fechamento, polimento e banho final. A liga padrão é de 22 quilates, seguindo uma regra local: em Sivrihisar, é costume oferecer pelo menos uma pulseira desse tipo às noivas no dia do casamento.

Custo alto, valor preservado
Os preços flutuam segundo o design e o peso. Uma peça padrão custa entre 600 mil e 1 milhão de liras. Modelos ornamentados com diamantes podem ultrapassar 1,7 milhão de liras. Para Altay, o custo elevado justifica-se pelo trabalho braçal intenso e pela necessidade de manter viva uma tradição centenária.
Imunidade tecnológica
Sobre o potencial impacto da tecnologia, a resposta foi direta. "Exige maestria e mãos. Enquanto ensinarmos aos jovens e mantivermos o amor por este ofício vivo, acredito que nem a inteligência artificial nem a tecnologia conseguirão destruí-lo", afirmou. Ele defende que a natureza artesanal da produção protege a técnica contra qualquer forma de automação industrial.


