A Apple treinou um grande modelo de linguagem (LLM) desenvolvido exclusivamente para o mercado chinês, em conjunto com o Alibaba Group. A empresa se tornou a primeira tecnologia estrangeira a receber autorização de Pequim para oferecer um sistema próprio de inteligência artificial generativa no país, segundo revelou a Reuters, citando três pessoas próximas ao projeto. Veículos brasileiros como O Globo, Valor Econômico e Época Negócios confirmaram a informação.
Registro regulatório e parceria com Alibaba
O serviço foi registrado no mês passado junto à Administração do Ciberespaço da China, o órgão que fiscaliza a internet local. Essa Aprovação abre caminho para a chegada do Apple Intelligence nos dispositivos chineses mediante uma futura atualização do iOS. Sob o contrato, o modelo Qwen, desenvolvido pelo Alibaba, será integrado à versão chinesa do assistente da Apple. A Reuters informou em julho que a tecnologia da Baidu também será utilizada para atender às demandas locais.
A mudança estratégica surge da impossibilidade de usar os modelos americanos que alimentam a Apple Intelligence no Ocidente. Sistemas como ChatGPT, da OpenAI, e Claude, da Anthropic, estão proibidos na China. A dependência anterior de parceiros externos, como Baidu e Alibaba, dava lugar agora a um controle mais direto sobre a ferramenta, embora o treinamento conte com o apoio da gigante chinesa.
Impacto no mercado e concorrência
Na semana passada, a Apple publicou em chinês um guia explicativo sobre como usuários de Mac na China continental poderiam conectar o Qwen à Siri e ao recurso Ferramentas de Escrita. O documento foi removido sem aviso prévio, indicando as dificuldades operacionais e a complexidade de adaptar a IA americana às exigências locais. A movimentação busca fortalecer a posição da Apple frente a concorrentes nacionais, como a Huawei, que avançaram rapidamente com smartphones equipados com IA própria.
- As ações do Alibaba listadas nos EUA subiram cerca de 4% nas negociações de pré-mercado após a notícia do registro, segundo dados do Valor Econômico.
- A estratégia de atuar em duas frentes — modelo próprio e parcerias locais — é inédita para empresas estrangeiras e ajuda a contornar barreiras regulatórias que limitam outras tecnológicas dos EUA.
O que ainda não foi divulgado
Não há clareza sobre a divisão exata de funções entre o modelo treinado pela Apple e as soluções fornecidas pelos parceiros chineses. A data oficial de lançamento no país também permanece incerta. A empresa não detalhou se a nova capacidade estará disponível para todos os aparelhos ou apenas para linhas específicas. Apple e Alibaba não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.


