A Anthropic divulgou, em 10 de setembro, um relatório de inteligência de ameaças. Nele, constam casos de uso criminoso do modelo de IA Claude, entre dezembro de 2025 e agosto de 2026. O documento reúne atividades que vão de espionagem e ataques cibernéticos a tentativas de desenvolvimento de armas biológicas e extração de capacidades do modelo. O caso de maior volume? A Alibaba, com mais de 151 milhões de interações suspeitas.
Segundo o Olhar Digital, o relatório examina atividades identificadas e interrompidas pela equipe de Threat Intelligence da Anthropic. Eles dividem os incidentes em sete áreas de risco:
- operações cibernéticas
- operações de influência
- vigilância
- golpes e fraudes
- uso biológico
- desenvolvimento de armas convencionais
- destilação ilícita de modelos
IA deixa de ser apenas auxiliar em ataques
O Olhar Digital destaca que a IA passou a ser orquestradora de operações ofensivas, não apenas assistente pontual. Em um caso de espionagem russa, agentes de IA automatizaram etapas de desenvolvimento de ferramentas e infraestrutura a phishing, manutenção de acesso e exfiltração de dados. Quando um malware era detectado, o sistema o reescrevia para escapar de detecção. A operação atingiu mais de 20 organizações, principalmente na Ucrânia e na Europa.
Em outro caso, o modelo foi usado para coordenar frentes paralelas: pesquisa de vulnerabilidades, desenvolvimento de malware, reconhecimento de redes de governos estrangeiros e coleta de inteligência. Segundo a empresa, humanos definiram alvos e supervisionaram resultados, mas grande parte da execução ficou com os sistemas de IA. Isso reduz a vantagem de grupos com equipes especializadas.
Alibaba lidera extração de capacidades
O SAPO Tek apurou que a operação da Alibaba foi o maior ataque de destilação ilícita já identificado pela Anthropic: mais de 151 milhões de interações entre maio e julho de 2026, com pico de quase 3 milhões de pedidos por dia e mais de 3.500 contas fraudulentas. O objetivo era usar as respostas do Claude para aprimorar os modelos Qwen.

Moonshot e DeepSeek, segundo o Olhar Digital, encaminharam conversas reais de clientes para o Claude e usaram as respostas como dados de treinamento. A Anthropic afirma ter interrompido ataques de sete laboratórios chineses, incluindo Alibaba, Moonshot, DeepSeek e Xiaomi. A Alibaba não respondeu a pedidos de comentário, de acordo com o SAPO Tek.
Armas biológicas e convencionais
O relatório também fala de armas. O Olhar Digital noticiou que um pesquisador de uma região não atendida pela Anthropic usou servidores virtuais para acessar o Claude e planejar experimentos de adaptação da gripe aviária a mamíferos. Operadores da China, Rússia e Iêmen usaram o modelo no desenvolvimento de software para mísseis, drones e bombas.
Jacob Klein, chefe de Threat Intelligence da Anthropic, disse à Reuters (publicado no Olhar Digital) que há um ano os modelos não seriam tão bons nessa tarefa quanto hoje.
O que cada veículo destacou
As reportagens deram pesos diferentes ao mesmo relatório. O Olhar Digital enfatizou a mudança no papel da IA e o uso do Claude em armas e treinamento de modelos chineses. O SAPO Tek concentrou-se na disputa com laboratórios chineses e nos detalhes da campanha da Alibaba, como o volume de pedidos diários e contas fraudulentas. Não há divergência factual entre os veículos sobre os dados centrais.
O que ainda não foi divulgado
A Anthropic não informou se houve denúncias ou processos contra os laboratórios citados, nem detalhou o impacto financeiro das operações interrompidas. Moonshot, DeepSeek e Xiaomi não se manifestaram publicamente. A Alibaba não comentou, segundo o SAPO Tek.


