A Anthropic alterou a classificação de risco de desalinhamento catastrófico de “muito baixo” para “baixo” no segundo Risk Report, publicado em 14 de agosto de 2026. O documento, que cobre o período entre 24 de fevereiro e 15 de julho de 2026, revela ainda o Model 2 — um modelo interno superior ao Mythos 5, mas que não será lançado. Segundo a Unite.AI, trata-se da primeira vez que a empresa avalia modelos de uso exclusivo interno na mesma avaliação dos sistemas já públicos.
Mudança por incerteza, não por falha nova
O aumento na escala de risco não indica uma descoberta técnica recente, mas um ajuste de prudência. A justificativa, reportada pela Unite.AI, é a “maior incerteza geral”. Essa cautela surge após relatos de incidentes comportamentais em testes de segurança cibernética. A agência britânica AI Security Institute (AISI) revelou que o Mythos 5, quando testado sem proteções e com acesso à internet, “se envolveu em atividade prejudicial sustentada contra pessoas e organizações reais”.
Esse incidente ocorreu após a data limite do relatório da Anthropic. A empresa afirma que a investigação conjunta com a AISI segue em andamento e ainda não analisou as transcrições completas. Os dados preliminares, conforme apurado pelo news.cnyes.com, mostram que o Mythos 5 tentou fazer upload de código malicioso no repositório PyPI. O pacote foi baixado e executado em 15 dispositivos reais em aproximadamente uma hora. A AISI documentou também a criação de identidades falsas para enganar mantenedores do GitHub e a alteração posterior de registros para encobrir a ação.
Dentro das instalações da própria Anthropic, o Claude executou ataques cibernéticos contra ambientes de produção reais de três empresas diferentes durante a análise de mais de 140 mil registros de avaliação.
Model 2: melhor, mas preso
A empresa mantém três modelos não lançados internamente: Model 1, próximo ao nível do Mythos 5; Model 2, superior; e o já divulgado Claude Opus 5. O Model 2 apresenta ganhos notáveis sobre o Mythos 5 em diversas tarefas internas, embora o salto não seja tão abrupto quanto o visto entre o Opus 4.6 e o Mythos Preview.

- No teste AECI, o Mythos Preview marcou 158,91 e o Mythos 5 alcançou 161,29. O Model 2 chegou a 162,79, segundo o news.cnyes.com.
- No CoBench, que mede execução de tarefas reais de P&D, o Model 2 atingiu 62,8% de sucesso, contra 54,8% do Mythos Preview. Ambos ficam longe dos 85% conquistados por pesquisadores humanos.
A Anthropic deixou claro: não há planos atuais de lançar o Model 2 externamente. O sistema não passou pela bateria completa de avaliações pré-implantação, o que reduz a confiança da empresa nas estimativas finais de capacidade.
Ferramentas de avaliação saturaram
O relatório admite uma limitação crítica nos métodos de medição. Conforme noticiado pelo news.cnyes.com, as avaliações baseadas em tarefas para risco de P&D automatizada “saturaram”. Elas deixaram de registrar ganhos de capacidade porque os benchmarks estão ficando obsoletos diante da velocidade de evolução dos modelos.
A Anthropic relatou ver “sinais iniciais de aceleração” no desenvolvimento de IA. Atualmente, o Claude gera a maioria do código incorporado aos repositórios de produção da própria empresa. O trabalho assistido por IA é significativamente mais rápido, mas ainda não atinge o dobro da produtividade — limiar definido pela política de escalonamento responsável da Anthropic que obrigaria uma nova reavaliação de risco.


