Anthropic, OpenAI e Google estão em discussões para criar um organismo de segurança que autorregule a inteligência artificial, embora ainda não haja uma entidade formal nem regras acordadas. As conversas, segundo o jornal espanhol La Razón, começaram em julho de 2026 e têm como objetivo estabelecer métodos comuns para testar e auditar a segurança dos modelos de fronteira.
Discussões desde julho
Segundo o site FomoEra — Tecnología y Ciencia, que cita um relatório do The Information publicado em 13 de setembro de 2026, as reuniões de trabalho entre as três companhias vêm ocorrendo desde julho para explorar um organismo de padrões que possa probar y auditar la seguridad de los sistemas más avanzados. O mesmo movimento foi descrito pelo site Asiae em 14 de setembro de 2026, confirmando o início das tratativas naquele mês. Ainda não há definição sobre alcance, financiamento, participação ou capacidade de impor resultados.
Plano de três passos da Anthropic
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, apresentou em 12 de setembro de 2026 um plano em três etapas para frear o ritmo de avanço dos modelos sem parar totalmente o desenvolvimento. A primeira etapa propõe a integração permanente de avaliadores externos em cada laboratório, com acesso semelhante ao de um empregado para revisar práticas de segurança, reportar incidentes e examinar alinhamento durante o treinamento. A Anthropic afirmou que adotará essa medida de forma unilateral. As duas etapas seguintes dependem de coordenação entre empresas de países democráticos para estabelecer padrões comuns de segurança.
Modelo proposto por Demis Hassabis e pedidos de isenção
Demis Hassabis, chefe da unidade de IA do Google, havia anteriormente sugerido a criação de um organismo dos EUA para avaliar modelos de fronteira antes do lançamento, comparando-o à FINRA, a entidade de autorregulação do setor financeiro norte‑americano. Segundo a La Nación (Argentina), o modelo de Hassabis incluiria supervisão federal, um conselho com especialistas técnicos independentes e representantes do código aberto, e definiria limites para a categoria “Frontier‑class” por meio de limites e benchmarks atualizados. Além disso, a mesma publicação indica que as empresas estariam dispostas a solicitar uma isenção “limitada” nas leis de concorrência dos EUA para poder coordenar esses limites de segurança.

Pedidos de desaceleração global e reações
Em artigo publicado pela La Nación em 14 de setembro de 2026, as lideranças dos três laboratórios afirmam estar analisando a alternativa de um organismo autorregulador enquanto pedem que o desenvolvimento global de seus produtos seja reduzido. O ensaio de Amodei, divulgado pelo The Washington Post antes de seu recebimento de apoio, cita riscos de desalinhamanto que poderiam causar danos financeiros significativos. O apoio público de figuras como Sam Altman (OpenAI), Elon Musk (SpaceX) e Demis Hassabis foi mencionado, ao mesmo tempo em que o ex‑presidente Donald Trump manifestou-se contra qualquer desaceleração, afirmando que os EUA devem continuar liderando a corrida com a China.
O que ainda não foi divulgado
O material não fornece informações sobre o orçamento previsto para o organismo, a composição exata de seu conselho, mecanismos de aplicação de eventuais regras, ou um cronograma para a formalização da entidade. Também não há detalhes sobre quais benchmarks específicos seriam usados para classificar os modelos como “Frontier‑class” ou como as auditorias de segurança seriam conduzidas na prática.


